Muitas coisas interessantes aconteceram no Pan do Rio de Janeiro. Desde as emblemáticas vaias ao presidente da República, passando pelos acessos de patriotismo desvairado de alguns comentaristas esportivos, até chegar à beleza e plasticidade de alguns esportes, como a ginástica rítmica, por exemplo.
Outros esportes, para mim, poderiam nem existir. O softbol (se não fosse pelas belas atletas, eu nem saberia o que era); aquela outra modalidade que o rapaz fica pulando numa cama elástica, igualzinho eu fazia na cama de meus pais quando criança; o boliche; a peteca inglesa, e por aí vai.
O Pan também tornou patente o quanto somos (ainda) medíocres na formação de atletas. Excetuando-se algumas modalidades, como o voleibol, ainda temos muito a aprender, principalmente com os Estados Unidos.
No entanto, talvez o fato inusitado (e, de certa forma, imaginado e previsto) foi a fuga de alguns atletas cubanos durante o período dos jogos. Atletas da equipe de handebol e de boxe abandonaram a delegação cubana e meteram o pé na estrada. Teve um que veio de táxi para São Paulo. Outro, imediatamente, embarcou para a Alemanha. Todos muito aliviados.
E nós temos que ouvir o Exmo. Fidel Castro dizer que o Brasil está se tornando outro “Estados Unidos” ao “acobertar” os dissidentes. Caduquice tem limites, Sr. Castro!

Os atletas fugiram única e exclusivamente em busca de algo que eles consideraram que lhes faltava em Cuba: liberdade. A liberdade de poder fazer as escolhas profissionais, de ir e vir dentro e fora da Ilha, de jogar em outros países sem ser visto como “traidor do regime”, de enriquecer e ter fama.
Só essa busca pela liberdade é que pode justificar a deserção do principal boxeador cubano, Guillermo Rigondeaux (foto), que gozava de uma série de regalias e tinha uma pequena fortuna (sem falar do mar caribenho), mas escolher largar tudo e fugir, durante o Pan, para a fria Alemanha.
A lógica é simples: antes o frio e o desafio – ao sabor da liberdade – do que regalias, sol, mulheres e seguranças, com uma “liberdade à cubana”. Se for assim, à cubana, para mim, só o filé.