sábado, 11 de agosto de 2007

Fim do Milton Neves na Record?

O que não faz a Renata Fan na Band, hein? O fenômeno de publicidade, Milton Neves, parece não ter conseguido convencer os pastores da Universal que futebol dá dinheiro, mesmo sem os direitos de transmissão do Brasileirão. A cada semana, o programa do MN fica menor: o que chegou a durar uma hora e quinze minutos tem, agora, 25 minutos, entremeados por propagandas sem fim. Dá até pena dos comentaristas que tentam falar, mas, em geral, o tempo já estourou e eles têm de ir ao Lellis Trattoria.

Da Agência Estado – Milton F. da Rocha Filho


SÃO PAULO - O apresentador de programas esportivos da TV Record Milton Neves confirmou que seu programa diário "Debate Bola" e o semanal "Terceiro Tempo", que vai ao ar aos domingos, deixarão de ser exibidos no dia 1º de setembro. Outro programa, o "Golaço", exibido na Rede Mulher, também sai do ar no mês que vem. "Não estou saindo da Record, tenho um contrato que ainda tem algum tempo para terminar. O que existe é a necessidade da Record em mexer em sua grade para atrair mais gente. Quer atrair a família, não somente os homens, que geralmente gostam de futebol", disse o apresentador. Neves revelou ainda que terá espaço na grade da RecordNews, que vai substituir a Rede Mulher. Na nova emissora de notícias da Rede Record, o apresentador deverá ter um programa de três horas de duração aos finais de semana.

Neves não quis dar detalhes sobre seu contrato com a Record, mas o que se apurou é que se trata de um contrato especial: além de dar ao apresentador um salário mensal, ainda concede participação na área publicitária. O contrato de Milton Neves com a Record terminará em 2010, de acordo com fontes seguras. O apresentador, que também é contratado da Rádio Bandeirantes e da BandNews, aproveitou para negar que tenha recebido uma proposta da TV Bandeirantes para apresentar um programa esportivo. "Isso é um boato que está no mercado há mais de uma semana. Posso garantir que não há verdade nele. Sou amigo da direção da Bandeirantes e não recebi convite algum para apresentar um programa na rede", garantiu.

Ele revelou ainda que recebeu a informação sobre o fim dos programas esportivos da Record há mais de mês e que ficou muito aborrecido, pois as equipes de produção foram dispensadas, embora saiba que alguns serão aproveitados na RecordNews. Sobre a rotina profissional de apresentadores de TV, que vivem ao sabor das mudanças de horários, Neves disse que, na televisão brasileira, com exceção da grade da Globo e dos programas de Silvio Santos, "os apresentadores são como pregos em gelatina". "Posso ser chamado para apresentar outros programas. Basta ser programa em língua portuguesa que posso apresentar com tranqüilidade O meu contrato ainda tem algum tempo", afirmou. Ele entende também que, se a Record ganhar a concorrência para a transmissão do Campeonato Brasileiro a partir de 2009, a emissora poderá voltar a ter programas sobre o assunto em sua grade. Milton Neves disse ainda que seus programas são líderes de audiência e de faturamento nos seus horários.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Edu Zanardi "contando gotas"

Saudamos a entrada de Edu Zanardi para o “time” do Conta-Gotas. E para recebê-lo com honrarias, um trecho da entrevista de Paul MacCartney à Rolling Stone, onde Paul fala sobre a “perda de amigos”. Hoje, aqui no blog, ganhamos mais um amigo.

RS: Você, George e Ringo puderam desfrutar os ressurgimentos dos Beatles. John, é claro, morreu antes de boa parte disso acontecer, e agora George também se foi.
PM: Esta é a pior parte de ficar adulto. Você perde amigos, é inevitável. Não é exatamente uma surpresa, mas é terrível. É muito triste. Conhecia John intimamente há tanto tempo. Sempre me admiro com o fato de eu ter sido o caro que se sentava com John para escrever todas aquelas coisas. Éramos só ele e eu em uma sala e isso era bem especial. [...] George era simplesmente um sujeito ótimo. Ele era um garotinho que eu conheci em Speke, Liverpool, só um garotinho que entrou no meu ônibus. Eu subi no ponto anterior ao dele, e ele entrou e nós começamos a conversar sobre guitarras e rock’n’roll. [...] Ele era um sujeito lindo que não agüentava gente burra. Era uma alma muito linda. Nem me deixe começar, cara. É um horror ter perdido aqueles caras. Mas a verdade terrível é ser adulto.

Cubanos encontrados e informações desencontradas

Alguns dias depois de publicar aqui um post sobre “a liberdade à cubana”, dois dos três desertores cubanos “se entregaram” e, horas mais tarde, já embarcavam rumo à ilha.

As primeiras notas davam conta de que houvera algum engano e de que eles jamais quiseram abandonar seu país. Mais: a Folha de São Paulo publicou uma reportagem dizendo que eles “desejavam” voltar, que tinham sido aliciados e, vejam só, dopados por agentes alemães e guias turísticos brasileiros.

Aí pensei: nossa, que estranho! O Portal G1 foi um dos primeiro veículos a questionar o modo como a extradição foi feita e colocar em suspenso a primeira versão divulgada. Na seqüência, Reinaldo Azevedo, que tem um blog hospedado na Veja, também “se indignou” com o procedimento do governo brasileiro. Aí foi uma enxurrada de reportagens que trataram do tema.

O problema dos cubanos chegou ao Congresso Nacional. Senadores da base governista e da oposição também se posicionaram contrariamente à extradição da forma como foi feita.

Já em Cuba, os dois boxeadores, Rigondeaux e Lara, deram versões contraditórias em uma entrevista à Reuters. Falaram de excesso de peso, de turismo, de brasileiros e alemães. O dono do hotel onde eles estavam hospedados no Rio de Janeiro disse que eles pareciam bastante tranqüilos e não opuseram resistência aos policiais brasileiros.

Fidel Castro já disse que os atletas não representarão mais Cuba em torneios oficiais.

Correm especulações de que os boxeadores se entregaram porque o governo cubano teria pressionado seus familiares.

Disso tudo, duas conclusões: a extradição (se é que pode ser chamado assim) está muito mal explicada e a pressa do governo brasileiro não é comum nesses casos. Uma pergunta: por que nenhum responsável pelos procedimentos apareceu para esclarecer as dúvidas? Evitaria uma porção de especulações!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Não existem homossexuais

Na esteira da discussão a respeito dos “lamentáveis juízos” sobre a homossexualidade no futebol, segue o artigo publicado pelo João Pereira Coutinho, na Folha de São Paulo de hoje, com o título “Não existem homossexuais”.

NÃO CONHEÇO homossexuais. Nem um para mostrar. Amigos meus dizem que existem. Outros dizem que são. Eu coço a cabeça e investigo: dois olhos, duas mãos, duas pernas. Um ser humano como outro qualquer. Mas eles recusam pertencer ao único gênero que interessa, o humano. E falam do "homossexual" como algumas crianças falam de fadas ou duendes. Mas os homossexuais existem?

A desconfiança deve ser atribuída a um insuspeito na matéria. Falo de Gore Vidal, que roubou o conceito a outro, Tennessee Williams: "homossexual" é adjetivo, não substantivo. Concordo, subscrevo. Não existe o "homossexual". Existem atos homossexuais. E atos heterossexuais. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar o sexo a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha cama. Aberrante, não?

Uns anos atrás, aliás, comprei brigas feias na imprensa portuguesa por afirmar o óbvio: ter orgulho da sexualidade é como ter orgulho da cor da pele. Ilógico. Se a orientação sexual é um fato tão natural como a pigmentação dermatológica, não há nada de que ter orgulho. Podemos sentir orgulho da carreira que fomos construindo: do livro que escrevemos, da música que compusemos. O orgulho pressupõe mérito. E o mérito pressupõe escolha. Na sexualidade, não há escolha.

Infelizmente, o mundo não concorda. Os homossexuais existem e, mais, existe uma forma de vida gay com sua literatura, sua arte. Seu cinema. O Festival de Veneza, por exemplo, pretende instituir um Leão Queer para o melhor filme gay em concurso. Não é caso único. Berlim já tem um prêmio semelhante há duas décadas. É o Teddy Award.Estranho. Olhando para a história da arte ocidental, é possível divisar obras que versaram sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo. A arte greco-latina surge dominada por essa pulsão homoerótica. Mas só um analfabeto fala em "arte grega gay" ou "arte romana gay". E desconfio que o imperador Adriano se sentiria abismado se as estátuas de Antínoo, que mandou espalhar por Roma, fossem classificadas como exemplares de "estatuária gay". A arte não tem gênero. Tem talento ou falta de.

E, já agora, tem bom senso ou falta de. Definir uma obra de arte pela orientação sexual dos personagens retratados não é apenas um caso de filistinismo cultural. É encerrar um quadro, um livro ou um filme no gueto ideológico das patrulhas. Exatamente como acontece com as próprias patrulhas, que transformam um fato natural em programa de exclusão. De auto-exclusão.
Eu, se fosse "homossexual", sentiria certa ofensa se reduzissem a minha personalidade à inclinação (simbólica) do meu pênis. Mas eu prometo perguntar a um "homossexual" verdadeiro o que ele pensa sobre o assunto, caso eu consiga encontrar um no planeta Terra.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Um desafio para cinéfilos

Para quem gosta de desafios relacionados ao cinema, vale a pena dar uma conferida no link abaixo.

São 64 trechos, com pouco mais de cinco segundos cada, de trilhas sonoras de tudo quanto é filme, desde os clássicos até as tramas infanto-juvenis da Xuxa. A idéia é adivinhar de qual filme é a música.

Eduardo Zanardi, nosso colaborador, foi quem sugeriu o desafio e quer ver se alguém supera sua marca: 52 acertos!

É só clicar AQUI.

PêEsse: Zanardi fez uma ressalva: “Cuidado, essa p**** vicia”!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Amy Winehouse

por Eduardo Zanardi
*****
Você acreditaria se eu dissesse que uma das maiores vozes da música negra americana é de uma inglesa branquela de 23 anos?!?

Amy Winehouse apareceu em 2003 com Frank, seu álbum de estréia, mas foi Back to Black (2006) que projetou a moça. O disco é muito bem produzido, com arranjos incríveis, clima old school, letras muito bem sacadas e tudo temperado com uma voz impar.

Amy lembra muito mais uma punk de boutique do que uma diva do r&b. Mas é com esse visual esquisito, e muita classe, que a magricela tatuada de Brixton (bairro jamaicano de Londres) ilustra a capa da Rolling Stone UK. A mesma matéria está na versão brasileira da revista, vale a pena conferir.

O clipe da semana, lá no rodapé, é da musica Rehab, primeiro single de Back to Black.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Um juiz e seus (lamentáveis) juízos

Reproduzo trechos da matéria da Folha de hoje sobre um processo de jogador "acusado de ser homossexual".
Há muitas questões envolvendo esse universo da bola. Mas o mais assustador foi o despacho do juiz.

"Futebol é varonil, não homossexual"
Juiz rejeita queixa-crime de Richarlyson e escreve que "esta situação, incomum, do mundo moderno, precisa ser rebatida"

Depois de gerar polêmica no futebol, o episódio que envolve o são-paulino Richarlyson e o diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Jr., ganhou contornos mais agudos na Justiça. A queixa-crime apresentada pelo volante contra o cartola foi arquivada pelo juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, que, em sua sentença, classifica o futebol de "jogo viril, varonil, não homossexual". O jogador foi à Justiça após o dirigente citar o seu nome ao responder uma pergunta sobre homossexualismo no futebol em programa da TV Record.
(...)
No documento, o juiz sugere que, se [o atleta] fosse homossexual, "melhor seria que abandonasse os gramados".Em outro trecho, Junqueira Filho diz que "quem se recorda da Copa do Mundo de 1970, quem viu o escrete de ouro jogando (...) jamais conceberia um ídolo ser homossexual".A seguir, ele afirma: "Não que um homossexual não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo. Mas forme seu time e inicie uma Federação".

Comentando o caso:
a) absurdos, preconceituosos e homofóbicos os argumentos do senhor juiz.
b) argumento de um magistrado num país que ostenta altos índices de violência contra homossexuais. É lamentável pois legitima, indiretamente, assassinatos diários contra pessoas que são vítimas por sua condição sexual. Desnecessário dizer que esses crimes raramente são punidos;
c) se fosse uma situação de morte como o juiz se pronunciaria: "melhor que não existisse"? Ou ainda, "faça o que quiser desde que as 'pessoas de bem' não vejam"; "A vítima é culpada porque provocou com seus modos 'excêntricos'?"
d) o que entende este senhor por direitos elementares das minorias? Que proposta é esta de segregação?
e) e por que neste universo da bola, supostamente varonil, não se pode abordar este tema? Por que a homossexualidade assusta tanto? Insegurança?

Liberdade à cubana

Muitas coisas interessantes aconteceram no Pan do Rio de Janeiro. Desde as emblemáticas vaias ao presidente da República, passando pelos acessos de patriotismo desvairado de alguns comentaristas esportivos, até chegar à beleza e plasticidade de alguns esportes, como a ginástica rítmica, por exemplo.

Outros esportes, para mim, poderiam nem existir. O softbol (se não fosse pelas belas atletas, eu nem saberia o que era); aquela outra modalidade que o rapaz fica pulando numa cama elástica, igualzinho eu fazia na cama de meus pais quando criança; o boliche; a peteca inglesa, e por aí vai.

O Pan também tornou patente o quanto somos (ainda) medíocres na formação de atletas. Excetuando-se algumas modalidades, como o voleibol, ainda temos muito a aprender, principalmente com os Estados Unidos.

No entanto, talvez o fato inusitado (e, de certa forma, imaginado e previsto) foi a fuga de alguns atletas cubanos durante o período dos jogos. Atletas da equipe de handebol e de boxe abandonaram a delegação cubana e meteram o pé na estrada. Teve um que veio de táxi para São Paulo. Outro, imediatamente, embarcou para a Alemanha. Todos muito aliviados.

E nós temos que ouvir o Exmo. Fidel Castro dizer que o Brasil está se tornando outro “Estados Unidos” ao “acobertar” os dissidentes. Caduquice tem limites, Sr. Castro!

Os atletas fugiram única e exclusivamente em busca de algo que eles consideraram que lhes faltava em Cuba: liberdade. A liberdade de poder fazer as escolhas profissionais, de ir e vir dentro e fora da Ilha, de jogar em outros países sem ser visto como “traidor do regime”, de enriquecer e ter fama.

Só essa busca pela liberdade é que pode justificar a deserção do principal boxeador cubano, Guillermo Rigondeaux (foto), que gozava de uma série de regalias e tinha uma pequena fortuna (sem falar do mar caribenho), mas escolher largar tudo e fugir, durante o Pan, para a fria Alemanha.

A lógica é simples: antes o frio e o desafio – ao sabor da liberdade – do que regalias, sol, mulheres e seguranças, com uma “liberdade à cubana”. Se for assim, à cubana, para mim, só o filé.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Conta-gotas da semana

Posts de uma semana cheia

1) Chaui falou...

A professora Marilena Chaui falou ao site do Paulo Henrique Amorim (http://conversa-afiada.ig.com.br/) sobre a "invenção da crise aérea". É o típico caso de uma leitora perspicaz e seus comprometimentos políticos para fazer a análise.

Na entrevista oscilam interessantes observações como a "comovente cobertura dos atrasos em aeroportos" que satisfaz a classe média, a ignorância total da mídia para outros temas e demoras, como no INSS, e a teoria de uma "invenção da crise".

Partindo de um repertório de sua consagrada carreira, o do "discurso competente", a professora desqualificou a crise. Para ela os "especialistas" se revestem de autoridade para tecer comentários, julgar e definir a compreensão das pessoas sobre os processos envolvidos.

Também refere-se ao tema da ideologia e seus encobrimentos.

Não há como não concordar com muitos aspectos de sua observação sobre a cobertura da imprensa. Da mesma forma que é impossível não reconhecer os esforços da filósofa para construir uma outra versão e ficarmos assustados com a sua sugestão de que o governo deveria tomar a rede nacional e explicar "a verdade".

O que me interessa nesse caso é refletir sobre a autonomia do pensamento e os compromissos políticos assumidos. De defender os governos ou de culpá-los previamente e exclusivamente.



2) As revelações da caixa-preta

A cada nova informação o governo fica mais aliviado. Um show de horrores e de julgamentos rápidos.



3) O Marco Aurélio Garcia

Não tinha comentado sobre o "top, top, top" do assessor de Lula. Uma coisa simples a ser observada: comportamento de quem conta com a complacência e a impunidade a que estamos habituados.



4) O Cansei

Inacreditável o movimento constestatório que surgiu em Campos do Jordão. A melhor tirada, temos que reconhecer, é do ex-governador Lembo, o mesmo da "elite branca": é um "movimento de dondocas".



5) O movimento apolítico

Só mesmo o bacharel da linhagem do D'Urso, presidente da OAB-SP, para dizer que o movimento é apolítico. Pelo visto, faltou mesmo no curso do advogado a leitura dos clássicos da política.



6) Chegou Agosto

O ano vai ladeira abaixo. SP não foi muito feliz: janeiro, cratera do metrô; abril, teve Bush; maio, o papa; julho, o acidente da TAM. E no resto do tempo os seres de sempre.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Morreu Antonioni

A bruxa está solta no mundo do cinema. Depois de Bergman, agora morreu Antonioni.

Do Estadão.com

ROMA - Michelangelo Antonioni, um dos cineastas mais famosos e influentes da Itália, morreu aos 94 anos, informaram nesta terça-feira, 31, autoridades municipais de Roma. As causas não foram divulgadas, mas segundo declaração da esposa do diretor, a atriz Enrica Fico, ao jornal La Repubblica, ele morreu tranqüilamente em sua casa, em Ferrara, na noite de segunda-feira.
Considerado o pai cinematográfico da alienação e angústia modernas, Antonioni teve uma carreira de seis décadas, que incluiu clássicos como Blow-up - Depois Daquele Beijo e A Aventura.

"Com Antonioni, não se perdeu somente um dos maiores diretores vivos, mas também um mestre da tela moderna", afirmou o prefeito de Roma, Walter Veltroni. Antonioni morreu no mesmo dia em o cinema perdeu o lendário diretor sueco Ingmar Bergman, aos 89 anos.

Os filmes deliberadamente lentos e oblíquos de Antonioni nem sempre agradavam ao público, mas obras como A Aventura tornaram-no um ícone entre diretores como o norte-americano Martin Scorsese, que o descrevia como um poeta com uma câmera.


Para os cinéfilos, segue o trailer de “Blow-up – Depois Daquele Beijo”, de 1966.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Saneamento Básico

Ontem fui assistir ao novo trabalho do diretor e roteirista Jorge Furtado, “Saneamento Básico, o filme”.

Gostei.

O interesse da platéia pela história a ser narrada é despertado já no início da trama, com a tela ainda escura, quando o filme dialoga com o espectador e o convida a participar da “reunião”.

Lançando mão de uma solução metalingüística, Furtado apresenta um roteiro com múltiplas possibilidades de leitura.

É possível pensar desde a própria produção cinematográfica, com os seus meandros burocráticos, problemas financeiros e impasses éticos e estéticos, até os limites da ficção e sua relação com o real, apresentados na película de forma inteligente a partir das discussões sobre o significado da palavra “ficção”.

Um pouco diferente dos últimos trabalhos de Furtado, Saneamento Básico contém uma crítica aos jogos que envolvem a produção (no sentido amplo) de um longa-metragem e, ao mesmo tempo, uma certa “declaração de amor” ao ato de fazer cinema.

As várias personagens presentes na trama evidenciam, cada qual à sua maneira, os desafios, paixões, ilusões e instâncias que giram em torno da criação da “obra final”.

Desde a idéia e direção iniciais (Marina), passamos ao longo da história: pelos problemas colocados pelo “olhar do espectador parcialmente ingênuo” (Joaquim), pelos responsáveis por questões técnicas que não entendem lá essas coisas de filmagem (Fabrício), pelo sucesso relâmpago das atrizes (Silene ‘Seagal’) até chegar à figura do “diretor final” (Zico), que tem o traquejo político e “domina” a linguagem da produção cinematográfica.

Vale a pena assistir. Boa história, ótimo elenco, com uma bela trilha sonora à italiana!

Marina Lima no Conta-Gotas

Na seção "Vídeo da Semana", apresentamos: Marina Lima. Escolha do editor Zé Alves, o clipe de "Criança", via MTV, transborda anos 80.


Quem quiser conferir, é só clicar nas telinhas P/B, lá no rodapé da página.

Morreu Bergman

Os demônios, que tanto atormetaram Bergman, agora o esperam chegar!
Da Reuters (30/07/2007)
ESTOCOLMO (Reuters) - O lendário cineasta sueco Ingmar Bergman, que influenciou gerações de cinéfilos com suas obras sombrias sobre temas como a morte e os tormentos sexuais, morreu nesta segunda-feira, aos 89 anos.

Sua filha Eva disse à agência sueca de notícias TT que o diretor e roteirista autodidata morreu em sua casa, na ilha de Faro, no mar Báltico.

Entre seus filmes mais conhecidos estão "Morangos Silvestres", "Cenas de um Casamento" e "Fanny e Alexander", vencedor de quatro Oscars. Esses filmes ajudaram a tornar a Suécia mundialmente associada à melancolia, mas fizeram de Bergman um mestre do cinema mundial.

Ao longo da carreira, ele realizou 54 filmes, 126 produções teatrais e 39 peças de rádio, além de programas para TV.

Suas obras-primas frequentemente lidavam com a confusão sexual, a solidão e a vã busca pelo sentido da vida - temas que muitos atribuíam a uma infância traumática, quando ele era agredido pelo pai.

A vida particular de Bergman também costumava colocá-lo sob os holofotes. Casou-se cinco vezes, com mulheres bonitas e talentosas, e teve relacionamento com suas principais atrizes.

Em 2001, disse à Reuters, numa rara entrevista, que seus demônios pessoais haviam atormentado e inspirado sua vida inteira.

"Os demônios são inumeráveis, aparecem nos momentos mais inconvenientes e criam pânico e terror", disse Bergman na época. "Mas aprendi que, se eu puder dominar essas forças negativas e colocar arreios nelas, elas podem funcionar em meu benefício."

Em 1956, Bergman obteve reconhecimento internacional com "O Sétimo Selo", no qual está a clássica cena em que o cavaleiro medieval, à procura de Deus e do sentido da vida, joga xadrez com a morte. No ano seguinte, o filme recebeu o prêmio do júri em Cannes.

Bergman se estabeleceu na ilha Faro ("das ovelhas"), na costa sudeste da Suécia, depois de rodar sete filmes ali. Todos os verões, a ilha celebra a vida e obra de Bergman.

domingo, 29 de julho de 2007

O Pan das vaias


Terminaram os Jogos Pan-Americanos Rio 2007.

Análises de resultados à parte, que deixo aos inúmeros analistas do mundo esportivo, este foi o Pan da vaia.

Não me refiro apenas àquelas dirigidas ao Lula.

Durante as competições a quantidade de vaias aos integrantes de delegações de outros países era gigantesca. Os atletas estrangeiros eram duramente "secados" com as vaias da torcida brasileira.

Este comportamento, principalmente nos esportes individuais, foi criticado pelos atletas brasileiros e estrangeiros.

Diante disso só nos resta uma triste constatação: o público do Pan não gosta do esporte, gosta é de ganhar. Não interessa se um ginasta, um fundista ou um arremessador tenha méritos, se não é do país não conta. A aposta era atrapalhar a concentração.

Triste ver essa constatação. Talvez sejam os tantos anos de monopólio futebolístico e a hipótese de que "torcida ganha jogo". Talvez seja apenas a insegurança e a carência dos brasileiros.

Mas tendo a pensar que, mesmo numa competição que teve tantos recursos e baixo nível técnico, o "orgulho de ser brasileiro" se confunde com a grosseria e a vontade de se dar bem acima de tudo.