quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Pega um, pega geral...

Depois de Lua de Cristal (1990) e Carandiru (2002) nunca se ouviu falar tanto de um filme nacional antes da sua estréia quanto o “inédito” Tropa de Elite. O filme, que tem previsão de lançamento para outubro (12), já anda circulando pelas mãos dos melhores camelôs do gênero, graças a uma cópia surrupiada de dentro da produtora onde o filme foi editado. Estima-se que 3 milhões de mídias pirateadas já foram vendidas.

Para quem ainda não se deparou com a caveira, essa aí ao lado, pelas baquinhas da cidade, o filme retrata o dia-a-dia do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro). Segundo entrevista do diretor José Padilha ao site G1Ao ver filmes brasileiros sobre violência, constatei que todos eles eram narrados da perspectiva daquele que é marginalizado, ou seja, do criminoso ou do morador de favela. Mas, ao meu ver, você não consegue compreender a nossa situação de segurança pública sem antes entender o funcionamento da polícia. É preciso entender a polícia. Ninguém nunca tinha falado da polícia, o que é muito estranho, já que têm filmes americanos, franceses, italianos, do mundo todo que tomam esse lado. Achei que faltava um brasileiro”. Tropa de Elite também foi destaque do The Guardian. Na matéria, o jornal britânico publicou que “Baseado no cotidiano de forças táticas que operam na capital do Brasil (OPA!!), o filme já pode ser considerado um dos mais controversos da história do país”.

Tropa” foi exibido na abertura do Festival de Cinema do Rio na última quinta-feira (20). A versão cinematográfica traz cinco minutos a mais, nova narração e melhorias no som. A cópia bucaneira acabou rendendo uma enorme publicidade gratuita em torno do filme, e aguçou a curiosidade daqueles que, ainda, não tiveram acesso ou não fazem questão de ver o produto ilegal. Eu prefiro comentar só depois de conferir no escurinho do cinema.

No clipe da semana, lá no rodapé, nada mais apropriado do que uma versão ao vivo do clássico titânico Polícia, interpretada violentamente pelo Sepultura.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Porradas e leituras variadas

Nos últimos dias vários relatos breves sobre apelo à força física nas soluções de conflitos.

Cada um deles, que recuperamos aqui, tem uma alegação e uma pseudo-justificativa. Fica a velha pergunta: quando os fins são nobres vale o método escuso?


1) Nasi, do Ira!, desceu o braço no irmão-empresário. Alegou desvios e acabou abandonando uma das bandas bem-sucedidas de nosso universo pop. O que será do grupo, do Nasi e do irmão cabe ao futuro.

2) O deputado Raul Jungman, aquele que junto com o Gabeira enfrentou a segurança do Senado durante a votação do processo do Renan, disse ter ouvido de pessoas na rua: da próxima vez sente a mão com mais força. A paciência vai ladeira abaixo.

3) Eric Nepomuceno, escritor, tradutor e amigo de García Márquez, relatou na Bienal do Livro do Rio que o colombiano e Vargas-Llosa trocaram sopapos por ciúmes da mulher de um deles. Na leitura de Nepomuceno: "foi a melhor coisa que aconteceu, pois livrou-se daquele tipo!". Acontece nas melhores famílias e nas mehores cabeças: imagine nas nossas. Valha-me Deus e camomila!

4) Ontem uma estudante esfaqueou a outra numa escola pública de SP. Maiores de idade, frequentavam o supletivo para completar a 5a série. Para a polícia foi crime passional.

5) Ia me esquecendo, mas tenho indícios de que estão próximos de descobrir quem matou a Thaís! Parece-me que o(a) assassino(a) também esteve envolvido em briga corporal. As diligências prosseguem... (rs)


Um verdadeiro caldeirão de paixões e forças: difícil conviver com as recusas às vontades, tanto na política como nas histórias pessoais.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

História: livros e TV


Dois episódios envolvendo profissionais de História, a noção de uma "história crítica" e as organizações Globo:

1- Na semana passada "O Globo" publicou uma matéria sobre um livro que integra a lista de livros oferecidos pelo governo federal aos professores dentro do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático).
Os trechos publicados pelo jornal incluíam pérolas como "No museu do Ipiranga, em São Paulo, tem o célebre quadro do pintor paraibano Pedro Américo, retratando o dia 7 de setembro de 1822. Parece um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco". Ou ainda "Vilas inteiras foram executadas. Doentes eram perfurados a baionetas no leito dos hospitais. Meninas paraguaias de 12 ou 14 anos eram presas e enviadas como prostitutas aos bordéis do Rio de Janeiro. Sua virgindade era comprada a ouro pelos barões do império! O próprio Conde d'Eu tinha ligações com o meretrício do Rio. Gigolô imperial." "Diziam que a princesa Isabel era feia como a peste e estúpida como uma leguminosa. Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum principezinho salvador?"
A seleção do jornalista Ali Kamel foi feroz com a obra "Nova História Crítica do Brasil". A matéria seguiu a linha de uma "doutrinação" esquerdista pois em outro momento Mao é chamado de estadista, "tinha várias amantes e era correspondido por todas".
Alguns estão lendo a matéria como uma crítica à divergência nesse universo da mesmice liberal. Entre os dois pontos uma distância enorme. No meio do caminho estudantes e professores com essa proposta de abordagem.
Estaríamos matando saudades de disputas ideológicas recentes?

2. Na outra ponta está a encenação histórica do "Fantástico".
A introdução do quadro intitulado “É muita história”, apresentado por Eduardo Bueno e Pedro Bial, é um dos quadros mais vistos no programa segundo a própria Globo. A proposta é desmistificar episódios da História com uma linguagem ágil, dinâmica e com encenações grotescas.
A História, como produto a ser consumido, é uma fonte de inúmeras curiosidades e uma lista infinda de episódios que pinçados não se explicam e não se articulam. Estes episódios, convenhamos, não chegam a ser uma novidade. Anualmente temos, nas férias de verão, uma mini-série de “época” com apelo histórico. É uma invasão de personagens “reais” e “fictícios” para explicar supostos períodos emblemáticos da história brasileira. Assim já assistimos sobre JK, GV, a ditadura, a família real, a expansão bandeirante e por aí afora.
O apelo destas produções globais não é criticável. O que é criticável é a idéia de que vão transmitir uma “visão crítica” sobre estes acontecimentos. É como se, ao ridicularizar uma personagem histórica, pudéssemos ter as respostas para as nossas mazelas políticas, econômicas, sociais e culturais. Esse verniz “crítico” não se sustenta em um único ponto e serve, de forma intencional ou não, ao imobilismo que se expressa em frases como “no Brasil nada muda”, “as coisas foram erradas desde o começo” etc.
Por meio de elaborações descontextualizadas (em nome de uma linguagem direta ao grande público), anacronismos e julgamentos extemporâneos, a História vai se confundindo com um verdadeiro almanaque que serve a todos os fins. O pensar histórico, nessas produções televisivas, longe de ser observado na peculiaridade da relação dos homens com seu próprio tempo é uma simples forma de narração com a linguagem melodramática que conhecemos.
Aos professores, por sua vez, cabe a difícil tarefa de questionar o que os nossos estudantes ouvem pela informação televisiva. Na semana seguinte à apresentação de programas desta ordem o aluno surge com a questão: “mas foi assim mesmo?” Como vemos, essas novas abordagens e a propagação deste tipo de informação histórica andam de braços dados como as explicações positivistas (é verdade? Como provar?), simplistas e reducionistas.
Pensar uma história crítica é elaborar uma capacidade de distinguir respostas, inquirir sobre as informações que nos chegam e buscar os vestígios das ações e explicações que os homens deram em diferentes tempos e sociedades. Essa elaboração, certamente, é mais difícil e não cabe em dez minutos na televisão ou no simples jogo maniqueísta entre bons e maus que algumas explicações propõem.
PêEsse: Na imagem a Princesa Isabel, a "leguminosa".

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A boa do dia!

Se Renan Calheiros não renuncia, o octogenário corinthiano já deu essa alegria aos amantes do esporte e da limpeza na política, mesmo naquela dos clubes.

Do Estadão.Com

SÃO PAULO - Alberto Dualib e de seu vice, Nesi Curi, renunciaram nesta sexta-feira dos cargos de presidente e vice do Corinthians, após quase dois meses de afastamento e muitos problemas que colocam o clube na maior crise administrativa de seus quase 100 anos de história.

A renúncia de Dualib foi confirmada pelo advogado particular José Luis Toloza, que cuida da defesa do agora ex-dirigente na Justiça. "Ele [Dualib] renunciou porque não quis prejudicar a instituição, nunca quis se utilizar do cargo, seja para objetivo político ou pessoal", diz.

Segundo Toloza, "o linchamento da imprensa é forte, é totalmente unilateral. Até o momento ele não pode se manifestar e cada órgão o acusa de uma coisa. Desrespeitam até o sigilo de Justiça. Ele não quer usar do cargo como base pra defesa dele [em relação aos problemas judiciais]".

A carta de renúncia entregue no Corinthians tem seis páginas e será lida na tarde desta Sexta pelo presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Senger, em entrevista coletiva no Parque São Jorge.

Com isso, Senger vai marcar a reunião do Conselho Deliberativo para a realização de uma nova eleição em 30 dias. O presidente interino, Clodomil Orsi, também deixará o cargo. Senger assumirá o clube até que um novo presidente seja escolhido.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Duas votações, duas perspectivas distintas

Do Portal G1:

A CPMF

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (19), por 338 votos a 117 e duas abstenções, o texto base da proposta que prorroga até 2011 a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e da DRU (Desvinculação de Receitas da União).

A CPMF, conhecida como 'imposto do cheque' tem alíquota de 0,38% e incide sobre todas movimentações financeiras.

O voto secreto

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (19) proposta de emenda constitucional (PEC) de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) que estabelece o voto aberto em todas as votações no Congresso.

Por se tratar de emenda à Constituição, a proposta precisa ser aprovada duas vezes no plenário do Senado e depois duas vezes na Câmara dos Deputados.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Temporada de caça aos patos

Após a cobertura maciça dos meios de comunicação, a indignação geral da população, revolta de alguns senadores e deputados (?) e algumas passeatas no final de semana (teve até trio elétrico pró-Renan), o Conta-Gotas Cotidiano não deixaria passar em branco a absolvição do presidente do Senado. No clipe da semana, que você encontra lá no rodapé do blog, está nossa homenagem a todos os envolvidos e, principalmente, ao povo brasileiro (clique no desenho animado).

Tentei fugir daquelas músicas que “ainda são suuuper atuais”, tipo Que País É Esse da Legião Urbana. Procurei algum brado tropicalista de Caetano, algum hino nacionalista de Gonzaguinha etc. Fui de Bezerra até Racionais MC’s e finalmente achei a música que ilustra perfeitamente o atual cenário sócio-político de nosso país: A Verdadeira Dança do Patinho.

Acompanhe a letra e cante bem alto o refrão:

“Eles traçam e destraçam o seu caminho
é a dança (dança), dança do patinho
Eles mandam uma qualquer e tu leva fé direitinho
é a dança (dança), dança do patinho
Dança, dança, dança do patinho (a verdadeira) – Refrão 4x
(temporada de caça aos patos)
Você que assina contrato sem ler
acha que a ONU se importa com você
Você que acredita no ouro nacional
chegou a sua hora, isso é fenomenal
Você que acredita no que falam na tv
dá seu dinheiro pro pastor para fazer sua fé valer
E para você que acredita no velho azul marinho
essa é a sua dança, a dança do patinho
(Refrão)
Você que acredita na mega-sena
Toto-bola, raspadinha e na garota de Ipanema
Você que acredita nos cara-pintadas
Acredita que o Brasil vai estar ganhando com a ALCA
Acreditou em inflação zero, no salário desemprego
Mas não viu que o governo tava era botando no seu re...
Parabéns, você é perfeito e foi feito para isso
Prá dançar a dança (a verdadeira) dança do patinho
(Refrão)
Você que toma volta quando quer ficar ligado
Acredita no bicho-papão e no aumento do salário
Você que paga seus impostos religiosamente
esperando algum dia uma aposentadoria descente
Você que acredita em alguma punição
pros que roubam e colocam no c... da população
E pra você q acredita que nunca foi lesado
cante comigo esse hino, esse é o meu recado
Braço em forma de asa, alterna o pé e faz biquinho
Tu entrou na dança, dança do patinho
(Refrão)
temporada de caça aos patos”

PêEsse. Evitei O Tempo Não Pára de Cazuza devido à frase “Transformam o país todo num puteiro”... é pedir pro Kassab fechar o blog!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Seção "Memória"


Getúlio Vargas, ao assumir o governo provisório do Brasil, em 03 de novembro de 1930. Se bem que o governo de Vargas não foi tão provisório assim.

Regularmente postaremos imagens ligadas à história do Brasil e da América Latina que serão alocadas na seção “Memória”, aí ao lado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Depois da pizza, a água no molho

A semana está terminando. Eu diria que ela deixou um gosto amargo para os brasileiros, principalmente após a absolvição do quase-cassado Renan Calheiros. O entusiasmo com a decisão do STF – há alguns dias – de aceitar as acusações contra os mensaleiros se arrefeceu com a politicagem secreta do Senado.

Mas não é disso que eu gostaria de tratar hoje.

Uma outra denúncia foi feita nesta semana, só que desta vez longe das cortes e do “nobre” parlamento, mas muito perto, quase colada à sociedade. Estou me referindo ao caso das merendeiras de escolas públicas em São Paulo que, supostamente, estariam “botando água” no molho de tomate das crianças e diminuindo as porções servidas nas refeições (no lugar de uma maçã, só meia!). A troco de quê? 40 ou 50 reais a mais no final do mês, prometidos pelas empresas responsáveis pelo abastecimento das escolas.

A desculpa dada pelas empresas foi de que as merendeiras seriam premiadas caso reduzissem os desperdícios. Sabemos que isso é conversa fiada. Se for comprovada, de fato, a existência desse “trato”, ambas as partes devem ser responsabilizadas.

O que irrita nesse caso é a mesquinharia da situação em que nos encontramos. Enquanto em outras partes do mundo as crianças são alvos dos mais cuidadosos tratamentos – inclusive no âmbito extra-escolar – por aqui as empresas responsáveis(?) reduzem os alimentos, já precários e escassos, servidos nas escolas. Enquanto em outros lugares, há incentivos pesados em educação, inclusive generosas doações de empresários, por aqui os “privados” (cegos de tudo, pobres coitados!) que “ganham” as licitações tentam tirar proveito de todas as partes.
'
Neste caso, o gosto sentido por nós deixou de ser amargo, simplesmente pelo fato de ele não existir mais.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Dá nojo

Dá nojo ver a arrogância do Renan Calheiros e ouvi-lo dizer que se absteve na votação de ontem. É igualmente repugnante vê-lo insistir em permanecer na presidência do Senado.

Dá nojo ouvir as vozes roucas, trêmulas, ofegantes e carcomidas pelo tempo de Alberto Dualib e Nesi Curi, ex-presidente e ex-vice do Corinthians, nos grampos feitos pela Polícia Federal. Na casa dos 80 anos, esses dois senhores falavam abertamente em “lavagem de dinheiro”.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Hoje é dia de cassação?!

Hoje os senadores da República votarão, provavelmente em sessão fechada, se Renan Calheiros (PMDB-AL) deve ou não ser cassado.

O dia deverá ser agitado em Brasília, já que alguns senadores prometeram subir à tribuna para discorrer sobre o voto aberto e passar um pito naqueles que defenderam com unhas e dentes a sessão fechada e o voto secreto.

Em todo caso, especula-se muito em torno dos possíveis “parceiros” de Calheiros que, até o começo desta semana, eram:

Almeida Lima (PMDB-SE)
Edson Lobão (DEM-AL)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Gim Argello (PTB-DF)
João Tenório (PSDB-AL)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Sarney (PMDB-AP)
Paulo Duque (PMDB-RJ)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Wellington Salgado (PMDB-MG)

Durante todo o feriado, pelo que comentaram os analistas políticos, houve toda sorte de negociação e articulação. O advogado de Renan Calheiros terá de ser bom mesmo para convencer os (supostos) indecisos e, caso logre sucesso, a opinião pública.

Está complicado para o (tomara) ex-presidente-cassado Renan Calheiros.

As popularidades na América Latina

O instituto de pesquisas mexicano Consulta Mitofsky publicou no último dia 10 uma pesquisa realizada entre os meses de junho e julho deste ano, em cada um dos países latino-americanos, para verificar entre os cidadãos o nível de popularidade dos seus respectivos chefes de governo.

A lista é encabeçada por Néstor Kirchner e finalizada por Nicanor Duarte, do Paraguai. Não deixa de ser interessante ver Álvaro Uribe (Colômbia) e Felipe Calderón (México) ocupando a segunda e terceira posições, enquanto Hugo Chávez (Venezuela) e Lula ficaram apenas em nono e décimos lugares.

A mim me pareceu muito estranha a posição ocupada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, em 15º. lugar com apenas 39% de aprovação. Será um sinal do desgaste dos sucessivos governos da Concertacão? Pois, a se considerar os níveis de crescimento econômico chilenos e as drásticas reduções da pobreza e da violência por aquelas bandas, é de se estranhar esse dado.

Na Europa, onde o tal instituto mexicano também se aventurou, os líderes que encabeçam a lista são: Angela Merkel (Alemanha), com 76%; Vladimir Putin (Rússia), com 75% e o Nicolas Sarkozy (França), com 64%.

Segue o ranking latino-americano:

1. Néstor Kirchner (Argentina) 71%

2. Álvaro Uribe (Colômbia) 66%

3. Felipe Calderón (México) 66%

4. Martín Torrijos (Panamá) 60%

5. Antonio Saca (El Salvador) 57%

5. Manuel Zelaya (Honduras) 57%

5. Evo Morales (Bolívia) 57%

6. Rafael Correa (Ecuador) 56%

7. Óscar Arias (Costa Rica) 55%

8. Tabaré Vázquez (Uruguai) 51%

9. Hugo Chávez (Venezuela) 50%

10. Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) 48%

11. Stephen Harper (Canadá) 44%

12. Óscar Berger (Guatemala) 42%

13. Michelle Bachelet (Chile) 39%

14. Leonel Fernández (República Dominicana) 38%

15. Alan García (Perú) 32%

16. Daniel Ortega (Nicarágua) 26%

17. George W. Bush (Estados Unidos) 22%

18. Nicanor Duarte (Paraguai) 11%

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Liberais, Conservadores e a Genética

A Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria interessante sobre as diferenças entre as "reações cerebrais" das pessoas que se autodefinem liberais e das que se consideram conservadoras. Em geral, esses estudos me assustam quando tentam vincular as escolhas políticas e morais a formações genéticas.

Ainda bem que foi escrito aquele último parágrafo na reportagem, lá no rodapé da matéria. Ufa...

Liberais e conservadores têm cérebros diferentes

Pesquisadores norte-americanos sugerem que a decisão de mudar ou não um hábito depende do modo como os neurônios agem

O modo de agir de uma pessoa liberal e de alguém conservador não depende apenas das convicções em relação à vida. O comportamento diferente ocorre porque seus neurônios reagem de modo distinto diante de uma decisão difícil.

Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista "Nature Neuroscience". O trabalho, feito por pesquisadores da Universidade de Nova York, sugere que os liberais são mais propensos que os conservadores a reagir diante de pistas que sinalizam a necessidade de mudar uma reposta habitual.

A análise dos cientistas levou em conta ações do dia-a-dia e não posturas políticas. A idéia era testar se as decisões mais maleáveis e tolerantes dos sujeitos que se autodeclaram liberais e os julgamentos mais persistentes dos ditos conservadores têm eco no cérebro.

Segundo a equipe, liderada por David Amodio, do Centro de Ciência Neuronal da universidade, as diferenças na hora de tomar decisões estão relacionadas a um processo conhecido como monitoramento de conflito - um mecanismo que detecta quando uma resposta padrão não é apropriada para uma nova situação.

Caminho de casa

Para descobrir como isso ocorre os pesquisadores trabalharam com um grupo de 43 voluntários que responderam a uma série de questões enquanto tinham seu cérebro monitorado por eletroencefalogramas.

Uma das perguntas era sobre o caminho feito do trabalho para casa. "As pessoas costumam voltar pelo mesmo caminho, todos os dias, até que isso se torne um hábito e não seja preciso pensar muito sobre ele", explicou Amodio. "Mas, ocasionalmente, a rua está em obras, e temos que romper com uma resposta habitual para processarmos a nova informação."

Com o eletroencefalograma, foi possível medir as diferenças neuronais da nova realidade. Nas pessoas classificadas como liberais, a atividade cerebral foi significativamente maior na área do cérebro conhecida como córtex cingulado anterior -que está ligado ao processo de auto-regulação do controle de conflitos- quando a situação hipotética pedia uma mudança na rotina. Os conservadores foram menos flexíveis e se negavam a mudar velhos hábitos.
O controle de conflitos provavelmente tem origem na herança genética, mas as orientações liberais ou conservadoras são determinadas principalmente pelo ambiente que cerca o indivíduo, explica Amodio.

Guinness lança cerveja vermelha

Semana passada a cervejaria irlandesa Diageo Plc rompeu uma tradição de mais de 248 anos e inovou com o lançamento da Guinness Red, versão escarlate para a sua mais tradicional marca.

Feita com os mesmos ingredientes da clássica Draught, a versão Red é preparada com cevada ligeiramente tostada, o que lhe dá o inusitado tom vermelho. Segundo comunicado publicado em 30 de agosto, o paladar da nova cerveja é mais suave, adocicado, balanceando o tradicional amargo que caracteriza a Guinness. Para a alegria dos fãs, a Red é tão cremosa quanto sua irmã mais velha, a versão preta (Draught). A bebida será produzida na histórica cervejaria St. Jame’s Gate Brewery, um dos lugares mais visitados de Dublin.

Infelizmente nós brasileiros não teremos o prazer de ver, e principalmente saborear, a Guinness Red tão cedo. O lançamento, a partir de setembro, será concentrado em Londres e na região central da Inglaterra.

Enquanto a novidade não pinta por aqui, vamos aproveitar e ver o clipe de Spicy McHaggis Jig (lá no rodapé da página) dos Dropkick Murphys, banda de celtic punk oriunda de Boston - a mais irlandesa das cidades fora d’A República do Eire.

Levante o seu pint e brinde conosco!!!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Chapeuzinho vermelho e a imprensa

Um leitor do Conta-Gotas nos enviou. Haja criatividade.

Chapeuzinho Vermelho e as diferentes maneiras de contar a mesma história.

JORNAL NACIONAL (William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...'.(Fátima Bernardes): '... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.

PROGRAMA DA HEBE (Glória Maria): '... que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'

CIDADE ALERTA (Datena): '... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.'

REVISTA VEJA: Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA: Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA: Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

FOLHA DE S. PAULO: Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO: Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO: Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.

ZERO HORA: Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

AQUI: Sangue e tragédia na casa da vovó.

REVISTA CARAS (Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte) Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'.

PLAYBOY: (Ensaio fotográfico no mês seguinte) Veja o que só o lobo viu.

REVISTA ISTO É: Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE: (Ensaio fotográfico com lenhador) Lenhador mostra o machado.

SUPER INTERESSANTE: Lobo mau! mito ou verdade?
DISCOVERY CHANNEL: Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.