sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Sobre o tempo

Num dia de feriadão, a cidade vazia, com ruas e restaurantes mais calmos pude reler um texto breve de Epicuro, a Carta a Meneceu (ou Carta sobre a felicidade, Ed. Unesp).

Correndo o risco de transformar uma reflexão mais densa em um comentário que beira a auto-ajuda há um trecho que gostaria de partilhar:

"Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir mais".

Epicuro (341-270 a.C), nesta breve sentença, parece mais contemporâneo do que nunca. Em tempos muito próximos de nós as reflexões deterministas produziram um discurso da inevitabilidade. A idéia de que a vida é imponderável apenas reforça nossa angústia e nossa responsabilidade diante de escolhas contínuas e cotidianas.

Nada esperar não significa nada fazer. Da mesma forma, invertendo a sentença, tudo fazer - prática de um discurso utilitarista - não significa obter. No intervalo entre as duas coisas espanta-se o imobilismo, a comodidade ou o desespero que agregamos ao nosso cotidiano.

Não há catástrofes nem redenções prévias: tudo por fazer, sem qualquer forma de garantia. Eis o fardo das escolhas humanas e a beleza que torna a vida única e irrepetível.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

007 e a bond girl tupiniquim

Quando era mais jovem eu adorava o 007. Se alguém perguntasse que eu gostaria de ser quando crescer, na hora respondia: “Bond, James Bond”!

Por incrível que pareça meu 007 favorito nunca foi o Sean Connery, era o Roger Moore. Talvez porque na época em que comecei a entender alguma coisa nos filmes, suas interpretações eram as que mais apareciam na Tela Quente e Temperatura Máxima - Viva E Deixe Morrer (1973), O Homem Com A Pistola De Ouro (1974) e O Espião Que Me Amava (1977) são sensacionais.

Mas vamos deixar o agente secreto favorito de Sua Majestade de lado e falar delas, as Bond Girls! Tudo começou em 1962 com Ursula Andress. De lá pra cá, já foram mais de 70 as moçoilas que passaram pelas mãos do galã inglês, entre elas: Jacqueline Bisset, Kim Basinger, Halle Berry e Denise Richards (minha favorita).

Para a seqüência de Cassino Royale (2006), os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli comunicaram que uma das Bond Girls deverá ser interpretada por uma atriz latina. Mais específico, o diretor Marc Foster, gostaria que a candidata tivesse o ziriguidum, o telecoteco e o balacobaco brasileiro. As indicadas: Fernanda Lima e Juliana Paes.

ENQUETE NO CONTA GOTAS. Quem você gostaria de ver na telona (e nos braços de James Bond) no próximo filme, a lindíssima gaúcha ou a voluptuosa carioca? Deixe seu comentário.

Na volta do clipe da semana, lá no rodapé da página, ficamos com Garbage e o vídeo bem bacana de The World Is Not Enough, trilha de 007 - O Mundo Não É o Bastante de 1999.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Notas nordestinas

Depois da incursão ao MS estou terminando, sempre a trabalho, um giro pelo Nordeste. É sempre muito interessante acompanhar a política local pois são muito distantes das visões do eixo SP-RJ-DF.

Breves notas:

1- No Recife está sendo criado na Praia de Boa Viagem um Parque Dona Lindu. Isso mesmo: a progenitora de nosso presidente, a "mulher que nasceu analfabeta" como definiu certa vez Lula, será homenageada num dos pontos nobres da capital pernambucana.

Num comercial de jornal travestido de notícia havia a afirmação de que embora a criação do parque fosse polêmica os investidores imobiliários deveriam aproveitar um lançamento de alto padrão naquela região. Sinceramente achei a "matéria" um retrato significativo da era Lula: a elite não gosta, mas se beneficia. O povo por sua vez, parece que gosta mas não usufrui da mesma forma.

2- Os prefeitos de Recife e Fortaleza são petistas. Comentário de locais: "fazem uma boa administração, mesmo sendo petistas". Estranho como o partido que outrora fora um ponto de apoio, hoje se revela um fardo para os alcaides.

3. Comentário em Fortaleza: a prefeita Luziane Lins, a candidata que venceu a direção petista que não a queria e que foi apoiada e vitoriosa graças ao apoio de nosso amigo Noblat (rs), está apaixonada por alguém em Brasília. Dizem que tem ficado mais tempo na capital federal do que aqui no Ceará. Nem se dignou a vir receber a ministra Marta Suplicy que passou por aqui liberando verbas para reformas em pontos turísticos. Um ponto em comum entre as duas loiras: apaixonaram-se durante suas administrações.

4. Por falar em Marta eis o conteúdo de uma nota da coluna social de um matutino recifense: a "elegante ministra que veio a Pernambuco". Elogios às roupas, à simpatia e alfinetadas aos deslocamentos de helicóptero entre Recife, Porto de Galinhas e outras áreas. Nem parece a mulher do "relaxa e goza" que os paulistanos tanto recordam. Pode ser campanha, pode ser carência de celebridades por estas bandas, pode ser a simples admiração do colunista.

5. Ponto comum nas queixas locais: a violência.

6. Lugar surpreendente em Fortaleza: o Centro Cultural Dragão do Mar. Um lugar de exposições, eventos, bares, restaurantes, cinemas e lazer de qualidade para a população. Pena que as pessoas com algum poder aquisitivo e preconceito na mesma proporção afirmam que é "muito perigoso". É assim que propostas interessantes começam a morrer e as zonas centrais de grandes cidades são abandonadas e deterioradas. Tomara que o rumo do Dragão do Mar, que há vários anos constituiu-se num ponto de referência em todo Ceará, seja diferente.

7. Lula continua em alta por estas bandas. Participando de um debate no Recife também encontrei vários defensores de Chávez. Tudo bem que o venezuelando está investindo, em parceria com a Petrobras, na construção de uma refinaria, mas o sentimento do público que estava no debate se aproximava de uma reverência ao discurso anti-imperialista e pela cassação da concessão da RCTV. Queriam o mesmo com alguns canais de TV aqui.

8. O mar continua lindo, as pessoas receptivas e bem humoradas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Primeiro Amor - Adília Lopes

PRIMEIRO AMOR

gostava muito dele
mas nunca lhe disse isso
porque a minha criada tinha-me avisados
e gostar de um rapaz
nunca lhe diga que gosta dele
se diz
ele faz pouco de si para sempre
os rapazes são maus
eu não era bela
nem sabia quem tinha pintado os Pestíferos de Java
resolvi assim escrever-lhe cartas anónimas
escrevia o rascunho num caderno pautado
não sei hoje o que escrevia
mas sei que nunca escrevi
gosto muito de ti
e depois pedia a uma rapariga muito bonita
que passasse as cartas a limpo
eu acreditava que quem tinha uns cabelos
assim loiros e a pele fina
devia ter uma letra muito melhor que a minha
agora que conto isto
vejo que deixo muitas coisas de fora
por exemplo que o meu primeiro amor
não foi este mas o Paulo
o irmão da rapariga bonita

De volta com poesia

De volta ao Conta-Gotas, depois de uma viagem pela divisa de SP e MS e uns mergulhos no Rio Paraná! Claro, tivemos também longuíssimas reuniões sobre os rumos dos blogs no Brasil.

Para a volta, selecionei um poema de Adília Lopes, cronista, poeta e tradutora de Lisboa. A recomendação de seus textos veio via internet, direto do site algumapoesia.com.br, editado por Carlos Machado.

Espero que gostem!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Ensaio sobre o capitalismo

CAPITALISMO IDEAL: Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. Eles se multiplicam, e a economia cresce. Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!

CAPITALISMO AMERICANO: Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO FRANCÊS: Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.

CAPITALISMO CANADENSE: Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

CAPITALISMO JAPONÊS: Você tem duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO ITALIANO: Você tem duas vacas. Uma delas é sua mãe, a outra é sua sogra, maledetto!!!

CAPITALISMO BRITÂNICO: Você tem duas vacas. As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS: Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO: Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO RUSSO: Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você para de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUIÇO: Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL: Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS: Você tem duas vacas. E reclama porque seu rebanho não cresce!

CAPITALISMO CHINÊS: Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.

CAPITALISMO HINDU: Você tem duas vacas. E ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO ARGENTINO: Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês. As vacas morrem. Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.

CAPITALISMO BRASILEIRO: Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a CCPV- Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presumia que você tivesse 200 vacas e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo.

Acima o The Wall Street Bull, uma outra visão do capitalismo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Cansei Peidei Copiei

Aproveitando que os meus companheiros de blog estão nos tais rincões do Brasil, enchendo o latão de Xingu, eu continuo aqui, firme, com a nossa cruzada contra as injustiças sociais, econômicas, políticas, literárias, esportivas e afins. Através de textos, links, fotos e vídeos da internet, inauguramos o nosso movimento, o Copiei.

Direto do site da Faculdade Cantareira, copiamos um dos vídeos que faz parte da campanha publicitária Vestibular 2008 da instituição. O filminho que apresenta o curso de Direito foi escrito e interpretado pela Cia. Barbixas do Humor. Vale o seu click.



Não se esqueça de copiar o Conta-Gotas e divulgar para os seus amigos!

PêEsse: O importante é discutir e propagar informação.

domingo, 30 de setembro de 2007

Por trás do VMB

O VMB 2007, que aconteceu na última quinta-feira (27), é sem dúvida a festa mais bacana da música brasileira. Estou me referindo ao evento fechado que rola depois da premiação. Imaginem um bando de artistas, bonitões e gostosas, todos bêbados e chapados pra lá e pra cá. O Vale de Sidim ficaria com inveja. Infelizmente só temos acesso a monótona pré-pseudo-festa que a tv mostra.

A coisa que mais me irritou (não só nesse VMB, mas em toda a MTV ultimamente) é a distribuição gratuita de palavrões. Eu não sou nenhum puritano, pelo contrário, adoro falar palavrão. Mas tudo tem sua hora e seu momento. Ali, na frente dos flashes, a impressão que me deu é de que soltar um 'porra', um 'caralho' ou mostrar o dedo para a câmera faz do autor o maior punk revolucionário do mundo. Os discursos eram básicos: “Poooooorra, vamô fazê barulho caralhoooo, viva o rrrock n’ rrroll, vocês são foda, valeeeeeeeeu”. O que basicamente reflete a proposta da emissora e de sua audiência, em sua maioria, nos dias de hoje.

Tirando isso, mais a participação anual de respeitáveis senhores tentando dialogar com a jovem platéia (esse ano os micos foram do senador Suplicy e Paulo C. Pereio), os clássicos speeches sem graça e o NX Zero, o evento de 2007 conseguiu se salvar. Destaque para os shows de Juliette and the Licks, Sandy e Junior (é sério), o karaokê comandado pelos Forgotten Boys e claro, Daniela Cicarelli.

Na festa de verdade, pós-premiação, teve desde a ex-BBB Siri sendo ‘disputada’ pelo repórter Vesgo e o guitarrista dos Licks, até Bárbara Paz largadona em um sofá no final do pagode – e laiá!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A força do amor!

Vejam só a força do amor!

Do Portal G1:

Uma senhora de 82 anos e um jovem de 24 se casaram nesta sexta-feira -com registro civil- na cidade argentina de Santa Fé, numa cerimônia na qual asseguraram ter selado um "grande amor" e negaram que haja interesses econômicos por trás do matrimônio.
Reinaldo Waveqche e Adelfa Volpes, que passarão a lua-de-mel no Rio de Janeiro, registraram sua união na presença de amigos e de parentes, e também na de vários fotógrafos e jornalistas, que se interessaram pela peculiar história de amor.

"Estou muito contente, feliz. Foi tudo muito bem. O que mais se pode pedir? É uma satisfação muito grande poder ter um companheiro assim. Reinaldo é um ser maravilhoso, muito bom, amável e educado. É tudo. Eu o conheço desde que nasceu, e o vi crescer", disse Adelfa, que é aposentada, nunca tinha casado e não tem filhos.

Na cerimônia, a noiva usava salto alto, um vestido azul com brilhos e um casaco de pele. Já o noivo vestia um terno escuro e óculos também escuros.
Reinaldo, que disse que sempre gostou de "mulheres mais velhas", afirmou que o amor por Adelfa "nasceu com base no respeito e nos momentos compartilhados": "A diferença de idade nunca nos importou".
(Íntegra)

PêEsse: O blog estará em “repouso” no final de semana. Dois dos editores estarão numa conferência nacional de blogueiros, nos rincões do Brasil. O Edu Zanardi estará de plantão! Até semana que vem!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Congresso, o governo e o mensalão mineiro

Três momentos das últimas 24 horas na política nacional.
1. O governo Lula obteve uma importante vitória na Câmara dos Deputados para prorrogar a CPMF até dezembro de 2011. São 40 bilhões anuais que saem de nossas contas-correntes. Sem sonegação. A votação foi folgada, o que demonstra a existência de um clima favorável ao governo naquela Casa. Também não podemos esquecer que os projetos presidenciais de Serra e Aécio, do PSDB, incluem a prorrogação do imposto e os recursos na hipótese de um deles ocupar o Planato a partir de 01/01/2011.

2. No Senado uma derrota da MP que deu o cargo de ministro a Mangabeira Unger, na Secretaria de Ações de Longo Prazo (Sealopra... O governo gosta de aloprados). Mangabeira Unger foi sem nunca ter sido. Não há mais o cargo. Foi o troco de Renan ao governo. Pois mesmo tendo colaborado com a absolvição do senador alagoano, a frigideira continua quente e senadores governistas estão pouco convictos a morrer abraçados a este cadáver político.
Renan, ao seu estilo, revidou com os votos que controla no Senado.
Quem vai piscar primeiro? Renan ou o governo? Chantagens são comuns na seara política, mas os custos (para os cofres e para a imagem dos políticos) são muito altos.

3. O senador e ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), envolvido no caso do valerioduto mineiro, acusou FHC de também ser beneficiário das "verbas não-contabilizadas" na eleição de 1998.
Serra, Aécio, Tasso e todas as figuras emplumadas do tucanato recomendaram silêncio ao mineiro. Pois é, quando um mineirinho começa a falar lembram a ele que mineiro é um ser desconfiado, quase um matuto.
Pena que o que ele poderia falar é algo que gostaríamos tanto de saber.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A Justiça no boteco

Olha, caros colegas contadores de gotas, eu já tinha ouvido propostas para fazer reuniões, aulas, encontros amorosos, comemorações etc. em bares, mas audiência em boteco é novidade para mim. E, pelo que a notícia reporta, tem dado resultados. “Jeitin brasileiro”… Acompanhem, volto em seguida.

Do Portal G1:

Para acelerar o julgamento de mais de 3 mil processos, um juiz do Interior de Mato Grosso do Sul está mudando a rotina do Judiciário. As audiências estão sendo feitas bem longe do fórum, no meio da comunidade, onde estão os problemas. Até um bar foi usado como sala de audiência.

Mais da metade da população de Terenos mora na Zona Rural. Como o acesso ao fórum é difícil por causa das distâncias, o único juiz da cidade decidiu levar a Justiça até a comunidade. "Não há ligação do campo com a cidade regular para que a pessoa possa vir normalmente", diz o juiz José Berlange.
(Íntegra)

É aquele negócio: a leitura das petições, argumentações e uma bicada na cerveja ou no destilado. A concentração para a audição das partes e uma beliscada no torresmo. A sentença e o brinde. Até a parte derrotada entra na roda.

Pega um, pega geral...

Depois de Lua de Cristal (1990) e Carandiru (2002) nunca se ouviu falar tanto de um filme nacional antes da sua estréia quanto o “inédito” Tropa de Elite. O filme, que tem previsão de lançamento para outubro (12), já anda circulando pelas mãos dos melhores camelôs do gênero, graças a uma cópia surrupiada de dentro da produtora onde o filme foi editado. Estima-se que 3 milhões de mídias pirateadas já foram vendidas.

Para quem ainda não se deparou com a caveira, essa aí ao lado, pelas baquinhas da cidade, o filme retrata o dia-a-dia do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro). Segundo entrevista do diretor José Padilha ao site G1Ao ver filmes brasileiros sobre violência, constatei que todos eles eram narrados da perspectiva daquele que é marginalizado, ou seja, do criminoso ou do morador de favela. Mas, ao meu ver, você não consegue compreender a nossa situação de segurança pública sem antes entender o funcionamento da polícia. É preciso entender a polícia. Ninguém nunca tinha falado da polícia, o que é muito estranho, já que têm filmes americanos, franceses, italianos, do mundo todo que tomam esse lado. Achei que faltava um brasileiro”. Tropa de Elite também foi destaque do The Guardian. Na matéria, o jornal britânico publicou que “Baseado no cotidiano de forças táticas que operam na capital do Brasil (OPA!!), o filme já pode ser considerado um dos mais controversos da história do país”.

Tropa” foi exibido na abertura do Festival de Cinema do Rio na última quinta-feira (20). A versão cinematográfica traz cinco minutos a mais, nova narração e melhorias no som. A cópia bucaneira acabou rendendo uma enorme publicidade gratuita em torno do filme, e aguçou a curiosidade daqueles que, ainda, não tiveram acesso ou não fazem questão de ver o produto ilegal. Eu prefiro comentar só depois de conferir no escurinho do cinema.

No clipe da semana, lá no rodapé, nada mais apropriado do que uma versão ao vivo do clássico titânico Polícia, interpretada violentamente pelo Sepultura.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Porradas e leituras variadas

Nos últimos dias vários relatos breves sobre apelo à força física nas soluções de conflitos.

Cada um deles, que recuperamos aqui, tem uma alegação e uma pseudo-justificativa. Fica a velha pergunta: quando os fins são nobres vale o método escuso?


1) Nasi, do Ira!, desceu o braço no irmão-empresário. Alegou desvios e acabou abandonando uma das bandas bem-sucedidas de nosso universo pop. O que será do grupo, do Nasi e do irmão cabe ao futuro.

2) O deputado Raul Jungman, aquele que junto com o Gabeira enfrentou a segurança do Senado durante a votação do processo do Renan, disse ter ouvido de pessoas na rua: da próxima vez sente a mão com mais força. A paciência vai ladeira abaixo.

3) Eric Nepomuceno, escritor, tradutor e amigo de García Márquez, relatou na Bienal do Livro do Rio que o colombiano e Vargas-Llosa trocaram sopapos por ciúmes da mulher de um deles. Na leitura de Nepomuceno: "foi a melhor coisa que aconteceu, pois livrou-se daquele tipo!". Acontece nas melhores famílias e nas mehores cabeças: imagine nas nossas. Valha-me Deus e camomila!

4) Ontem uma estudante esfaqueou a outra numa escola pública de SP. Maiores de idade, frequentavam o supletivo para completar a 5a série. Para a polícia foi crime passional.

5) Ia me esquecendo, mas tenho indícios de que estão próximos de descobrir quem matou a Thaís! Parece-me que o(a) assassino(a) também esteve envolvido em briga corporal. As diligências prosseguem... (rs)


Um verdadeiro caldeirão de paixões e forças: difícil conviver com as recusas às vontades, tanto na política como nas histórias pessoais.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

História: livros e TV


Dois episódios envolvendo profissionais de História, a noção de uma "história crítica" e as organizações Globo:

1- Na semana passada "O Globo" publicou uma matéria sobre um livro que integra a lista de livros oferecidos pelo governo federal aos professores dentro do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático).
Os trechos publicados pelo jornal incluíam pérolas como "No museu do Ipiranga, em São Paulo, tem o célebre quadro do pintor paraibano Pedro Américo, retratando o dia 7 de setembro de 1822. Parece um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco". Ou ainda "Vilas inteiras foram executadas. Doentes eram perfurados a baionetas no leito dos hospitais. Meninas paraguaias de 12 ou 14 anos eram presas e enviadas como prostitutas aos bordéis do Rio de Janeiro. Sua virgindade era comprada a ouro pelos barões do império! O próprio Conde d'Eu tinha ligações com o meretrício do Rio. Gigolô imperial." "Diziam que a princesa Isabel era feia como a peste e estúpida como uma leguminosa. Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum principezinho salvador?"
A seleção do jornalista Ali Kamel foi feroz com a obra "Nova História Crítica do Brasil". A matéria seguiu a linha de uma "doutrinação" esquerdista pois em outro momento Mao é chamado de estadista, "tinha várias amantes e era correspondido por todas".
Alguns estão lendo a matéria como uma crítica à divergência nesse universo da mesmice liberal. Entre os dois pontos uma distância enorme. No meio do caminho estudantes e professores com essa proposta de abordagem.
Estaríamos matando saudades de disputas ideológicas recentes?

2. Na outra ponta está a encenação histórica do "Fantástico".
A introdução do quadro intitulado “É muita história”, apresentado por Eduardo Bueno e Pedro Bial, é um dos quadros mais vistos no programa segundo a própria Globo. A proposta é desmistificar episódios da História com uma linguagem ágil, dinâmica e com encenações grotescas.
A História, como produto a ser consumido, é uma fonte de inúmeras curiosidades e uma lista infinda de episódios que pinçados não se explicam e não se articulam. Estes episódios, convenhamos, não chegam a ser uma novidade. Anualmente temos, nas férias de verão, uma mini-série de “época” com apelo histórico. É uma invasão de personagens “reais” e “fictícios” para explicar supostos períodos emblemáticos da história brasileira. Assim já assistimos sobre JK, GV, a ditadura, a família real, a expansão bandeirante e por aí afora.
O apelo destas produções globais não é criticável. O que é criticável é a idéia de que vão transmitir uma “visão crítica” sobre estes acontecimentos. É como se, ao ridicularizar uma personagem histórica, pudéssemos ter as respostas para as nossas mazelas políticas, econômicas, sociais e culturais. Esse verniz “crítico” não se sustenta em um único ponto e serve, de forma intencional ou não, ao imobilismo que se expressa em frases como “no Brasil nada muda”, “as coisas foram erradas desde o começo” etc.
Por meio de elaborações descontextualizadas (em nome de uma linguagem direta ao grande público), anacronismos e julgamentos extemporâneos, a História vai se confundindo com um verdadeiro almanaque que serve a todos os fins. O pensar histórico, nessas produções televisivas, longe de ser observado na peculiaridade da relação dos homens com seu próprio tempo é uma simples forma de narração com a linguagem melodramática que conhecemos.
Aos professores, por sua vez, cabe a difícil tarefa de questionar o que os nossos estudantes ouvem pela informação televisiva. Na semana seguinte à apresentação de programas desta ordem o aluno surge com a questão: “mas foi assim mesmo?” Como vemos, essas novas abordagens e a propagação deste tipo de informação histórica andam de braços dados como as explicações positivistas (é verdade? Como provar?), simplistas e reducionistas.
Pensar uma história crítica é elaborar uma capacidade de distinguir respostas, inquirir sobre as informações que nos chegam e buscar os vestígios das ações e explicações que os homens deram em diferentes tempos e sociedades. Essa elaboração, certamente, é mais difícil e não cabe em dez minutos na televisão ou no simples jogo maniqueísta entre bons e maus que algumas explicações propõem.
PêEsse: Na imagem a Princesa Isabel, a "leguminosa".