sábado, 10 de novembro de 2007

A gramática e o vacilo dos ladrões

Repetindo o bordão do fantástico Zé Simão: este é realmente o país da piada pronta!

Ontem um grupo de assaltantes dentro de um Fiat Dobló pretendia assaltar um condomínio de luxo na Zona Oeste de São Paulo. O plano fracassou por um mísero detalhe: a falta de domínio ortográfico.

O utilitário vinha com um grande adesivo escrito “IMPÓRIO SANTA MARIA”. Para completar ainda indicavam o site da empresa com a mesma grafia: www.isantamaria.com.br/

Para quem não conhece, há um empório de luxo com este nome na capital paulista. A polícia que já estava à procura do grupo, acusado de realizar um assalto de 15 milhões a uma distribuidora de valores, desconfiou do erro grosseiro e prendeu o bando.

Elementar. Até Capitão Nascimento perceberia o equívoco.

Fotos do século XX

Para o final de semana, um pouco de memória. A foto abaixo é uma das mais reproduzidas do século XX.

O fotógrafo registrou o momento exato em que o chefe da polícia de Saigon atirou contra um guerrilheiro vietcong, em 1968.


Eddie Adams recebeu o prêmio Pulitzer por essa foto. Com uma impressionante capacidade de síntese, Adams disse: “O coronel assassinou o preso. Mas e eu, assassinei o coronel com a minha câmara?”.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Sem Controle... do passado!

Nesta semana, eu fui assistir ao filme de estréia da diretora (que já foi assistente de direção uma porrada de vezes) Cris d’Amato, Sem Controle.

Uma escolha arriscada por dois motivos: as críticas que li não recomendavam tanto o longa-metragem e havia muitos outros filmes, remanescentes da Mostra, que estavam em cartaz. Porém, ao final da sessão, aquilo que tinha sido arriscado se mostrou acertado. Ufa...

Por quê? Vou responder em tópicos e com o cuidado de não estragar a “surpresa” dos que vão assistir.

1. A sinopse do filme é: um diretor de teatro, Danilo (Du Moscovis), entra em colapso nervoso após ver o fracasso de sua última peça, que contava a história do fazendeiro Motta Coqueiro, morto injustamente em 1855, no episódio que iniciou o processo de extinção da pena de morte no Brasil. Ao ser internado numa clínica psiquiátrica, Danilo resolve reescrever a peça e encená-la com os demais pacientes.

2. O primeiro mérito do filme está na tensão criada pela diretora entre o passado e o presente, entre a ficção e a realidade. Os espectadores são forçados a viajar por três tempos diferentes durante a trama: pela vida de Motta Coqueiro, pela vida real de Danilo e pela encenação da peça.

Com isso, Cris d’Amato pôs em debate um tema que tem repercutido muito nos últimos dias, por conta de Tropa de Elite: a confusão entre a realidade e a sua representação. Apesar das críticas e sinopses apontarem para o tema da pena de morte como o assunto central na narrativa, para mim ele só aparece em segundo plano, bem por baixo do problema das temporalidades e da tensão entre realidade e ficção.

3. Sem Controle provoca o espectador, fazendo-o projetar o final do filme o tempo todo. A pergunta que se lança é: a história se repetirá? Há destino comum? O teatro é a própria vida real ou é só uma “invenção”? Essas perguntas ecoam ainda mais forte com as sutilezas encontradas por Cris d’Amato para “confundir” os espectadores, como, por exemplo, quando são focalizados os livros que as personagens lêem (e que não citarei para não cortar o barato!).

4. Outro elemento técnico interessante é a forma como a diretora organizou a câmera e a edição do filme: tudo muito rápido, com uma câmera bastante inquieta e cortes bruscos. Uma amiga que assistiu ao filme comigo registrou a sensação: “dá a impressão que tá fora de foco, né?”. É. E isso somado à trilha sonora meio sombria e lenta dá um contraste fantástico.

5. Há outros méritos no longa-metragem, como a ênfase na loucura e em seus lados criativo e destrutivo, ou mesmo a retomada da trajetória de Motta Coqueiro e da discussão sobre a extinção da pena de morte no Brasil, no Segundo Reinado. Há, como sempre, algo que merece ser questionado, como a concepção de história que subjaz o filme.

Ainda assim, é um filme que merece ser visto. Para quem quiser conferir o trailer, é só clicar aqui.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

"Seu Saraiva" e as crises de tolerância zero

Uma amiga me encaminhou por e-mail alguns exemplos de tolerância zero. Em geral, essas respostas viradas são coisas de mal-humorados, de aborrecidos ou de “Andersons” mesmo!

Lembrei-me na hora do “Seu Saraiva”, personagem interpretado pelo saudoso Francisco Milani, falecido há pouco mais de 2 anos. Seguem alguns exemplos de rabugice e também de perguntas cretinas, que nós às vezes nem damos conta que fazemos.

1 - Quando te vêem deitado, de olhos fechados, na sua cama, com a luz apagada e te perguntam:
- Você tá dormindo?
- Não, tô treinando pra morrer!

2 - Quando a gente leva um aparelho eletrônico para a manutenção e o técnico pergunta:
- Tá com defeito?
- Não é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.

3 - Quando está chovendo e percebem que você vai encarar a chuva, perguntam:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.

4 - Quando você acaba de levantar, aí vem um idiota (sempre) e pergunta:
- Acordou?
- Não. Sou sonâmbulo!

5 - Seu amigo liga para sua casa e pergunta:
- Onde você está?
- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!

6 - Você acaba de tomar banho e alguém pergunta:
- Você tomou banho?
- Não, mergulhei no vaso sanitário!

7 - Você ta na frente do elevador da garagem do seu prédio e chega um quepergunta:
- Vai subir?
- Não, não, tô esperando meu apartamento descer pra me pegar.

8 - O homem chega na casa da namorada com um enorme buquê de flores. Até que ela diz:
- Flores?
- Não! São cenouras. Ótima.

9 - Você está no banheiro quando alguém bate na porta e pergunta:
- Tem gente?
- Não! É a merda que está falando!

10 - Você chega no banco com um cheque e pede pra trocar:
- Em dinheiro?
- Não, me dá tudo em clips!

Boa noite e boa sexta-feira a todos!

Os 100 mais belos filmes!

O crítico de cinema e articulista do jornal O Estado de São Paulo, Luiz Zanin, postou em seu blog uma lista com os 100 mais belos filmes da história do cinema. Essa lista foi elaborada por 78 críticos e historiadores do cinema e publicada, originalmente, no site da revista Cahiers du Cinéma.

Para ficar no básico, seguem os 10 primeiros. Quem quiser conferir a lista na íntegra, é só clicar no link da revista.

1. Cidadão Kane (Orson Welles)
2. O Mensageiro do Diabo (Charles Laughton)
3. A Regra do Jogo (Jean Renoir)
4. Aurora (F.W. Murnau)
5. O Atalante (Jean Vigo)
6. Cantando na Chuva (Stanley Donen)
7. Um Corpo que Cai (Alfred Hitchcock)
8. O Boulevard do Crime (Marcel Carné)
9. Ouro e Maldição (Eric von Strohein)
10. Rastros do Ódio (John Ford)

Será que algum de nossos amigos leitores já assistiu aos dez filmes? Já adianto: acho que assisti, no máximo, a três ou quatro desses.

Por falar em filmes, amanhã um post sobre o filme brasileiro Sem Controle, dirigido por Cris d’Amato, que até agora não recebeu críticas muito favoráveis, mas que eu gostei!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Moral

por Raquel Vito
Esses dias, ouvi a seguinte conversa (dois caras num bar):
- Ontem peguei 3.
- Ah, eu catei 5...

Cada um contando vantagens daquilo que seria um "ficar" (expressão/gíria, muito usada pelos jovens). Em contrapartida, as garotas que “ficam” com mais de 1 cara são taxadas de fácil.

Nossa sociedade se diz liberal, mas é altamente conservadora, repressora e preconceituosa, principalmente no quesito sexualidade. Como pré-jornalista, coletando informações para as matérias, fica explícito como as pessoas usam 2 pesos e 2 medidas. Quando uma garota de 13 anos fica grávida, os vizinhos e amigos consideram o fato um processo natural, normal. As pesquisas mostram o aumento de adolescentes grávidas nessa faixa etária. Não vou me basear em números, basta ir a qualquer posto de saúde e constatar essa realidade.

Porém o discurso muda quando converso com os pais: entre “os mesmos vizinhos e amigos” que vêem com naturalidade a gravidez, muitos não aceitam a gestação da própria filha.

A contradição está dentro de casa. De que adianta a pregação da liberdade, se na verdade o que prevalece é a moral?

O Conta-Gotas antecipou... de novo!

No dia 10 de outubro publicamos aqui no blog nossa primeira enquete*, ainda em fase experimental (agora, como vocês podem notar no canto superior direito do monitor, a coisa está profissa). Perguntamos: Quem você gostaria de ver na telona no próximo 007 no papel de Bond Girl, Juliana Paes ou Fernanda Lima?

Parece que a gaúcha resolveu tirar o time de campo para cuidar de sua futura prole. Isso não garante Juliana na mira do agente secreto mais 'pintudo' do mundo! Pelo contrário, a missão da morena ficou ainda mais difícil com as indicações de Cleo Pires, Guilhermina Guinle, Rita Guedes entre outras beldades latinas.

As atrizes estão passando por diversos testes e proibidas de falar sobre o filme. A definição do próximo par de Daniel Craig em Bond 22 será breve, já que o filme está em pré-produção. Segundo o tablóide inglês The Sun, Cleo Pires (filha de Glória Pires com o Coringa) é a brasileira mais cotada.

"Cleo, Rita, Ju, Gui... my name is Bond, James Bond"

Segundo apuramos, também existe uma vaga na equipe de Recrutamento e Seleção das candidatas. Alguém se habilita???

No clipe da semana, Tina Turner e suas pernocas centenárias interpretam GoldenEye, do filme homônimo de 1995.

*Confira o texto na íntegra clicando aqui.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Novo parceiro: "Charges de Liberati"!

Hoje damos início a mais uma “parceria” aqui no Conta-Gotas Cotidiano: dessa vez com o blog do ilustrador, cartunista... Bruno Liberati.

Aliás, é melhor deixar que o próprio Liberati se apresente: ilustrador, depois cartunista, chargista, cronista, resenhador, crítico e sociólogo. Quem sabe um dia Presidente da República... Liberati também é um asteróide, o 6417. É um asteróide da cintura principal, a 2,1078494 UA. Possui uma excentricidade de 0,1853039 e um período orbital de 1 520,04 dias (4,16 anos). Liberati tem uma velocidade orbital média de 18,51700611 km/s e uma inclinação de 3,95129º. Ele foi descoberto em 4 de Dezembro de 1993 por Antonio Vagnozzi, segundo a Wikipedia.

Ufa! O rapaz tem fôlego e “bala na agulha”. Seu trabalho aparece publicado diariamente no blog “Liberati News”. Nós publicaremos aqui no Conta-Gotas, esporadicamente, algumas das charges, ilustrações, imagens ou cartoons do Liberati.

Começamos hoje com uma sacada a respeito da “crise do gás” no Brasil.

(Fonte - http://liberatinews.blogspot.com/)

Quem quiser conferir (e, evidente, divulgar) o belo trabalho de Bruno Liberati, é só clicar aqui ou na seção “Outras Praças”, na barra lateral.

Lucros dos bancos

Acaba de ser anunciado mais um recorde de lucros nas casas bancárias. Ontem foi o anúncio do Bradesco, hoje o do Itaú. Os dois maiores bancos privados brasileiros, em 9 meses de 2007, lucraram mais do que em 12 meses de 2006.
O lucro do Itaú, o banco "feito para você", foi de 6,4 bilhões de reais até agora, ou seja, 112% a mais do que o mesmo período de 2006. O "banco completo" lucrou 5,8 bi.

É muita eficiência!

Imagine se nós, pobres mortais, conseguimos ter em 9 meses um resultado superior à soma de 12 meses anteriores. Minha sensação, como pobre mortal e pagador de altas taxas para o sistema bancário e de impostos, é que a cada 12 meses eu ganho menos do que em 9 meses anteriores. Minhas despesas, não as receitas, não cessam de crescer. Sei que a culpa deve ser minha, pois nunca antes na história desse país, os bancos lucraram tanto!

PêEsse: Para comparar, ontem li que terei um reajuste salarial de 1,5%. Essa história da lebre e a tartaruga não me convence!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Nova Enquete

Ontem à tarde nós encerramos a enquete sobre a Copa do Mundo. A pergunta era: o Mundial trará benefícios ao povo brasileiro?

O resultado final foi: 58% responderam que NÃO, 42% disseram que SIM. Parece que há mais gente preocupada do que esperançosa em relação à Copa no Brasil.

Já está aí ao lado a nova pergunta. Agora queremos saber: após o dia de finados, que assunto você gostaria de enterrar? Esperamos os votos e a participação de vocês.

sábado, 3 de novembro de 2007

Antes que a piada perca a graça!


Sem querer provocar nossos ilustres editores e torcedores corintianos, cujo time pode deixar a zona de rebaixamento na rodada do final de semana, uma brincadeira bem humorada entre a saga do time e o famoso capitão Nascimento.


sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Homens Comuns

Conta a hagiografia que, depois de ter celebrado o dia de “todos os santos” – estes os filhos admitidos à glória eterna, a Igreja lembra hoje daqueles que já salvaram suas almas, mas que ainda não entraram no Paraíso, pois estão no Purgatório, acertando os últimos detalhes.

Pois é, hoje é “dia de finados”. Os cemitérios cheios, flores, mausoléus, lembranças: o passado que emerge com força de uma cova a sete palmos da superfície.

Coincidentemente, acabei de ler ontem à noite uma novela que trata da tensão entre a vida, a saúde, a doença e a morte: Homem Comum (Cia. das Letras, 2007), do escritor norte-americano Philip Roth (Foto).

Um belo livro – o último de Roth traduzido para o português – que narra a história de um homem que, desde muito cedo, vive em sua cabeça as tensões da morte, como se esta fosse lhe surpreender a qualquer instante. Essa circunstância lhe obriga a refletir, já no final da vida, sobre sua trajetória, suas escolhas, suas esposas, filhos e amantes, sua solidão e ressentimentos. Com um texto (o da tradução) muito bom, Philip Roth cativa e envolve o leitor no drama vivido por aquele homem.

Por uma dessas coisas inexplicáveis do destino, ontem à tarde recebi a notícia do falecimento do pai de um grande amigo meu. Lá na beira do rio São Francisco, se não me engano numa cidade inspiradamente chamada de Canoeiros, o seu pai se foi. À noite, enquanto acabava de ler o livro de Roth, eu me lembrava que nunca ouvira esse meu amigo dizer o nome de seu pai. Ele sempre se referia a seu pai, independentemente do interlocutor, como “papai”.

Nessa hora, eu me dei conta que a personagem central do livro também não tinha nome próprio: era somente o homem comum. Eu também me dei conta de que jamais sentira a necessidade de saber o nome dos dois: um era o “papai” do meu amigo; o outro era a “personagem” do livro. Os dois eram, cada um a seu modo, homens comuns, no que isso tem de mais belo, singelo e humano.

Ficam aqui os nossos sentimentos ao Rafael pela perda de seu pai e um trecho do romance de Philip Roth.

“Sabe por que ela está chorando desse jeito”. “Acho que sei, sim”, ele retrucou, num cochicho querendo dizer: é porque ela é como eu sou desde menino. É porque ela é como todos. É porque a intensidade mais perturbadora da vida é a morte. É porque a morte é tão injusta. É porque, para quem provou a vida, a morte não parece nem sequer natural.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Famílias na política

O tema da renúncia do ex-deputado Cunha Lima que é pai do atual governador da Paraíba fez com que me lembrasse de outro escárnio da nossa vida política: a participação de familiares e a constituição de verdadeiros clãs políticos em diversas regiões.

Os grupos políticos familiares, unidos ou não, ultrapassam as barreiras ideológicas, partidárias e estão presentes em todas as regiões do país. É claro que a Constituição assegura a qualquer pessoa a possibilidade de exercer seus direitos políticos. Mas o bom senso dos eleitores ou dos próprios políticos deveria prevalecer. Mas aí seria pedir demais.

Vejamos alguns casos:

Acre: o ex-governador Jorge Viana (PT) é irmão do senador Tião Viana;

Roraima: o senador Romero Jucá (PMDB) é casado com Tereza Jucá, ex-prefeita de Boa Vista;

Pará: o deputado, ex-governador e ex-senador Jáder Barbalho que foi casado com a Eucione Barbalho que também já foi deputada e concorreu a governadora;

Amapá: a deputada Janete Capiberibe (PSB) casada com o ex-governador e ex-senador João Capiberibe;

Maranhão: a família Sarney dispensa apresentações;

Ceará: a família de Ciro Gomes (PSB), deputado e ex-ministro. O irmão Cid é governador e a ex-exposa, senadora Patrícia Sabóia;

Rio Grande do Norte: D. Wilma de Faria (PSB), atual governadora, já foi da família dos Maias, que dominou a política potiguar por décadas;

Pernambuco: O falecido ex-governador Miguel Arraes deixou o espólio para seu neto Eduardo Campos;

Alagoas: nosso Bravo Renan (PMDB), seu irmão Olavo;

Sergipe: a atual senadora Maria do Carmo (DEM) é casada com o ex-senador e ex-governador João Alves Filho.

Goiás: o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, que já foi governador, senador e ministro, é casado com D. Iris Araujo (parou de usar Rezende);

Mato Grosso: a família Campos (do ex-senador Roberto Campos, do atual Julio Campos - DEM - e tantos outros da mesma linhagem);

Mato Grosso do Sul: os ex-governadores Wilson Barbosa Martins (PMDB) e Pedro Pedrossian (PP) têm ou tiveram filhos deputados;

Rio de Janeiro: O prefeito César Maia e seu filho Rodrigo, deputado federal e presidente do DEM. Temos o casal Garotinho (PMDB) que agora lançará a filha candidata à vereadora em 2008;

S. Paulo: a família Montoro (ex-governador Franco, hoje tem filho deputado, pelo PSDB), o ex-casal Suplicy (PT); a família Covas (PSDB) cujos filhos e um neto tentaram, mas não obtiveram o mesmo êxito do ex-governador;

Minas Gerais: o atual governador Aécio (PSDB) se projetou como assessor de seu avô Tancredo Neves; na oposição mineira, a esposa do ex-governador Newton Cardoso (PMDB) é deputada;

Santa Catarina: os domínios da família Amin (PP), Espiridião e Ângela, que hoje estão no ostracismo. Lá mesmo em SC há a família Bornhausen, do ex-senador Jorge e do deputado Paulo Bornhausen (DEM).

A lista seria imensa. Os leitores podem colaborar com outros exemplos.

O foro privilegiado e a renúncia de Cunha Lima

O deputado federal Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) renunciou ontem ao seu mandato. O distinto ex-deputado atirou no antigo opositor e também ex-governador Tarcísio Burity, em 1993. À época, Ronaldo era o governador do Estado e Tarcísio não morreu com o tiro. Faleceu anos depois.

Passados 14 anos o processo estava para ser julgado pelo STF na próxima semana. O ex-parlamentar apresentou sua renúncia nos seguintes termos: "Quero, com esse gesto extremo despir-me de quaisquer prerrogativas para assumir, apenas como cidadão", "a fim de possibilitar que esse povo me julgue, sem prerrogativa de foro como um igual que sempre fui".

O caso agora volta para a primeira instância e o acusado poderá recorrer de todas as decisões até um julgamento definitivo. Mais uma benesse do "foro privilegiado", quando não convém, renuncia-se a ele.

Pelo visto outros deputados pensarão na utilização do mesmo caso.

PêEsse1: Ronaldo é pai do do atual governador paraibano Cássio Cunha Lima, também tucano e que sofreu há pouco uma condenação do TRE por uso da máquina eleitoral em sua reeleição. Recorreu.
PêEsse2: Em Minas, apesar dos apelos públicos contrários, Aécio compactuou com a proposta de foro privilegiado também para deputados estaduais. A questão ainda caminha na Justiça devido à péssima repercussão.