segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Dia de Sorte

Sentada no vão do MASP conversando com uns amigos e matando um pouco o tempo, de repente “I’m Shipping Up To Boston” começa. É meu celular tocando com uma ótima notícia por vir:

- Naty, você vai no show da Amy?
- Vou, mas ainda não comprei ingresso. Vou tentar a boa e velha “cambistagem”.
- Ah, tenho um ingresso sobrando e...
- Jura? Você vai me dar um ingresso?
- É, então, mais ou menos...
- Ah, vaaaaaaai?
- Tá bom Naty, é seu! Me encontra agora pra pegar!

Assim meu dia começou a ser afortunado.

Fiz algumas ligações, outras amigas queriam comprar ingressos lá na porta do evento, encontrei-as e rumamos à Arena Anhembi.

Fofocas em dia, agora a meta era comprar mais dois ingressos. Me empenhei como se fossem para mim, pois queria muito que as amigas assistissem ao show comigo.

Pechinchamos, subornamos segurança, perguntamos aos carros que passavam, e até tentamos ultrapassar um portão entreaberto. Muitas, diferentes e falhas tentativas.

Não imaginávamos que os ingressos iriam se esgotar. Para nós, eles seriam vendidos por uma bagatela pelos cambistas, já que ninguém se interessava mais tanto por uma cantora “decadente” e por dois artistas nada conhecidos nas terras tupiniquins.

Erramos, (in)felizmente.

Há quase uma hora antes de Amy Winehouse subir aos palcos, tive que deixar minhas companheiras na esperança de que ambas ainda conseguiriam ingressos, e adentrei no lotadíssimo Summer Soul Festival.

Mayer Hawhorme... só consegui ouvir do lado de fora. De Janelle Monáe pude aproveitar o finalzinho do show e ai minha nossa! Ela surpreendeu com seus pés inquietos e uma voz que lhe chamou grande responsabilidade nesta turnê.

Míseros 25 minutos de atraso (não é nada para quem esperou um hiato de dois anos acabar) e senhoras e senhores, com vocês, senhorita Amy Winehouse.

A musa soul invade o palco. Timidamente linda, com sua tradicional cabeleira, argolas douradas enormes e um vestido preto com detalhes brancos estilo pinup anos 60.

“Just Friends” foi a primeira. E, já no início, a cantora se atrapalhou e esqueceu alguns trechos. Muitos comentários maldosos surgiram e o medo de que acontecesse o mesmo até o fim do show era grande.

Após este deslize, a inglesa se apresentou bem acanhada, aparentando certo medo da reação do público mediante as mancadas que ela mesma sabia que eram fáceis de dar. Mas não.

Com “Boulevard of Broken Dreams”, música conhecida na voz de Tonny Bennet (não, não é a do Green Day), Amy Winehouse deixou a Arena Anhembi boquiaberta, tamanha a força e paixão que colocou em sua voz.

De repente, os receios começaram a desaparecer. Aos poucos, Amy sorria, agradecia ao término de todas as músicas, até sensualizava com um singelo rebolado, e o mais importante para quem estava ali: falou conosco.

Em uma turnê de cinco shows, apenas em um deles a diva falou com o público. E eu, estava lá!

Os hits se apresentaram de maneira já esperada, com a cantora fazendo algumas modificações em suas execuções, principalmente em “Rehab”, “Back to Black e “Tears Dry On Their Own”. “Love is a Losing Game” deixou o público encantado e emocionado, e pra fechar o show, “Me and Mr. Jones” para empolgar a platéia. Entretanto, “Valerie” fez o público se animar e cantar extremamente alto a letra inteira.

Contudo, pessoalmente falando, o ápice da noite foi “You Know, I’m No Good”. Esta é a canção que mais amo, e eu já nem tinha esperanças de ouvi-la ao vivo, pois ela ainda não havia cantado no Brasil em nenhum dos shows anteriores. A alegria foi tanta que até liguei para um amigo que divide este gosto comigo e disse “não acredito, ela ta cantando!”.

Dançando e rodopiando como criança, Amy demonstrou muito carinho com a banda, principalmente com o baixista (detentor de um Höfner parecido com o de sir Paul, lindo) e com os backing vocals Zalon e Heshma Thompson. Os irmãos e exímios dançarinos têm destaque maior no show, pois a senhorita Amy Winehouse dá espaço para que eles cantem duas músicas. Zalon, inclusive, irá lançar um CD pelo selo da cantora Lioness, ainda este ano.

Dia 15 de janeiro de 2011, marcado como “dia de sorte”. Vi uma das melhores cantoras da atualidade; São Pedro ajudou com um dia sem um pingo de chuva; achei R$20,00 no chão; duas fichas de R$5,00 cada; e saí de mais um show com aquele sorriso estampado no rosto.

Graças aos deuses da música, DIVA É SEMPRE DIVA. Apesar dos escândalos, tropeços (se até Paul McCartney tropeçou, porque ela não pode?), antipatia em alguns casos e muitas outras coisas que denegriram sua imagem, aqui em São Paulo Amy surpreendeu. Mostrou-se simpática, talentosa e com vontade de continuar com força e beleza.

Agora, o que resta é aguardar o próximo CD da diva, aí sim saberemos se Amy Winehouse conseguirá manter o sucesso e o equilíbrio. Competência ela ainda tem de sobra.

Para este ano, só devo prometer que não vou mais abandonar o CGC como o fiz nos últimos meses. A inspiração voltou com tudo.

PêEsse: fotos de má qualidade, eu sei (assim como o telão do festival), mas provam que eu estive lá!

7 comentários:

damadopoker disse...

tô precisando duma amiga dessa.... rs

jennydias disse...

Deve ter sido mesmo um show e tanto e você sortuda demais de conseguir o ingresso e ainda na faixa! hahaha

beijos Naty
saudade... ;***

Rxxx disse...

Fico feliz por você voltar a escrever publicamente :)

Quanto a Amy, acho muito falatório pra pouco serviço ;p

Edu Zanardi disse...

Pq ele é um beatle po***a!

leslie disse...

Naty, adoro seus textos!!...mas, "cambistagem"...nem pensar!!

À Amy, a diva do Soul, desejo saúde, força de vontadde e sucesso em longos anos de música!!

Dizem alguns:"os shows de Amy Winehouse no Brasil reforçaram a tese de que alguns artistas só se apresentam em terras tupiniquins quando não têm mais coragem e condições de fazer show para um público exigente"

Naty disse...

Edu: por isso, por ele ser um Beatle, e a Amy ser a Amy, ela dar uns tropicões não é de se espantar hahaha


Leslie: do fundo do coração, espero que ela tenha escolhido as terras tupiniquins para quem sabe se reerguer

leslie disse...

Do fundo do coração...eu também faço votos, Naty...!!

Amy, Tina Tuner, Donna Summer, Aretha Franklin.....que vozes,que presença....amo!!!