quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Cinema: a crítica e as comparações Argentina/Brasil



Na seção de filmes da TV a cabo na Folha de hoje há o seguinte relato de Inácio Araújo.



"A Menina Santa" vai onde o cinema brasileiro teme ir
"A Menina Santa" (Telecine Cult, 0h05) é, de certa maneira, a súmula da superioridade do cinema argentino sobre o nosso.Quem poderia pensar num filme de tantas ocultações, em que um grande médico gosta de molestar meninas, em que a santinha molestada é bem uma cúmplice de tudo isso. Não, aqui a primeira idéia seria mandar prender o diretor, enquanto o Ministério da Justiça acionaria seus sabujos para colocar empecilhos à possibilidade de ver o filme. Etc.Não é culpa de ninguém. É cultural. Afinal, eles peitaram uma ditadura cem vezes pior do que a nossa e mandaram os torturadores para a cadeia. Nós fizemos uma bela pizza disso tudo. Eles têm uma livraria por esquina. Nós transformamos as nossas em boutiques que sobrevivem de vender ridicularias de auto-ajuda. Por que nossos cineastas conseguiriam sobrepor-se a tantas adversidades? Pode aparecer um gênio da raça, uma exceção. Será pouco e improvável.


À parte a excelência do filme dirigido por Lucrécia Martel (2004) o crítico mistura alhos com bugalhos. Não é possível reconhecer nenhum dos méritos da diretora argentina apenas por essa saraivada de críticas à inferioridade brasileira. Em suma, para ele é algo "cultural". Para legitimar o argumento recorre aos discursos pseudo-históricos de que uma ditadura é cem vezes pior do que outra. Ora, como podemos comparar traumas e dores que são únicas e irremediáveis? Para uma vítima da ditadura brasileira a sua situação é mais branda do que a ocorrida com nuestros hermanos?

É evidente que não estou propondo uma discurso nacionalista barato de se propor uma análise de um país fazer algo melhor do que outro. A produção cinematográfica não é "nacional": este é um dos equívocos das abordagens generalizantes. A produção é um processo coletivo sob as ordens de um diretor. Portanto, há bons e maus cineastas na Argentina, no Brasil, nos EUA, na França, no Irã, na Índia etc...

A análise seria mais interessante se, ao invés de clamar por um "gênio da raça", demonstrasse onde está o encanto da narrativa de Lucrécia Martel. Parece que conviver com o jornalismo diário produz reducionismos irreversíveis na cabeça do crítico.



quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A Volta de Björk

Essa semana foi divulgada oficialmente a programação do Tim Festival 2007, com todas as suas atrações, datas, locais e preços.

Um dos melhores shows do festival será com certeza o da cantora Björk Guomundsdóttir, nascida em Reykjavík, Islândia, e aclamada no mundo da música, da moda e do cinema pela sua enorme competência (outros chamam de excentricidade) em misturar tanto sons, tecidos e imagens, quanto consoantes em seu RG.

Björk começou sua carreira aos 12 anos de idade e desde então, já tocou bateria em banda punk, fez sucesso com a The Sugarcubes e em 1993 iniciou sua carreira solo misturando pop, jazz, música eletrônica, regional e rock. Já ganhou a Palma de Ouro em Cannes (2000) por interpretar uma mãe cega em Dançando no Escuro (de Lars Von Trier) e no mesmo ano foi à cerimônia do Oscar vestida de cisne. Gravou o álbum Medúlla (2004) utilizando apenas vozes e é protagonista dos videoclipes mais incríveis da história - e dos shows mais esquisitos também. Agora, a pequena moça do gelo aparece com o elogiado Volta, seu sexto álbum de estúdio, e retorna ao Brasil para tocar em São Paulo e Curitiba, entre os dias 28 e 30 de outubro. Ufa!

Admito que o som de Björk não seja de fácil digestão. Mas a miscelânea de camadas e texturas faz da islandesa uma artista única, um hiato na música pop e uma das coisas mais interessantes de se ouvir (e ver) dos últimos tempos.

O clipe da semana, lá no rodapé do blog é o da música Army Of Me, do álbum Post de 1994.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O primeiro passo do STF

O Supremo Tribunal Federal encerrou há pouco o quinto e último dia do julgamento inicial (ou análise, no termo técnico) do caso do mensalão. Resultado: os 40 denunciados pelo Procurador-Geral da República se tornaram réus e vão responder pelos mais diversos crimes, desde lavagem de dinheiro até corrupção ativa.

O que isso significa? Significa que, num primeiro momento, o STF mostrou que ainda podemos acreditar nas instituições do país. O segundo momento, que é o julgamento em si, pode demorar até 6 anos. O problema é que desde 1988 nenhum réu que desfrutava de foro privilegiado foi condenado. É melhor repetir: nenhum réu, nem mesmo o senhor Fernando Collor de Mello, foi condenado.

Vamos esperar, atentos, para ver no que vai dar o julgamento do mensalão.

Segue a lista dos 40 réus e os respectivos crimes pelos quais serão julgados:

1 - Anderson Adauto: Lavagem de dinheiro; Corrupção ativa
2 - Anita Leocádia: Lavagem de dinheiro.
3 - Antonio Lamas: Formação de quadrilha e Lavagem de dinheiro.
4 - Ayanna Tenório: gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro; Formação de quadrilha.
5 - Bispo Rodrgues: Lavagem de dinheiro; corrupção passiva.
6 - Breno Fischberg: Formação de Quadrilha; lavagem de dinheiro.
7 - Carlos Quaglia: Formação de Quadrilha; lavagem de dinheiro
8 - Cristiano Paz: Corrupção ativa; peculato, lavagem de dinheiro; Formação de quadrilha; Evasão de divisas.
9 - Delúbio Soares: Corrupção ativa; Formação de quadrilha.
10 - Duda Mendonça: Lavagem de dinheiro; Evasão de divisas
11 - Emerson Palmieri: Corrupção passiva; lavagem de dinheiro.
12 - Enivaldo Quadrado: Formação de Quadrilha; lavagem de dinheiro.
13 - Geiza dias: Lavagem de dinheiro; Corrupção ativa; Formação de quadrilha, Evasão
de divisas.
14 - Henrique Pizzolato: Peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro.
15 - Jacinto Lamas: Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção passiva.
16 - João Cláudio Genu: Formação de Quadrilha; Corrupção passiva; lavagem de dinheiro.
17 - João Magno: Lavagem de dinheiro.
18 - João Paulo Cunha: Lavagem de dinheiro, corrupção passiva; peculato.
19 - José Borba: Corrupção passiva; Lavagem de dinheiro
20 - José Dirceu: Corrupção ativa; Formação de quadrilha.
21 - José Genoino: Corrupção ativa; Formação de quadrilha.
22 - José Janene: Formação de Quadrilha; Corrupção passiva; lavagem de dinheiro
23 - José Luiz Alves: Lavagem de dinheiro
24 - José Salgado: gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro; Formação de quadrilha; Evasão de divisas
25 - Kátia Rabello: gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro; Formação de quadrilha; Evasão de divisas
26 - Luiz Gushiken: Peculato
27 - Marcos Valério: Corrupção ativa; peculato, lavagem de dinheiro; Formação de quadrilha; Evasão de divisas
28 - Paulo Rocha: Lavagem de dinheiro
29 - Pedro Correa: Formação de Quadrilha; Corrupção passiva; lavagem de dinheiro.
30 - Pedro Henry: Formação de Quadrilha; Corrupção passiva; lavagem de dinheiro
31 - Professor Luizinho: Lavagem de dinheiro
32 - Rámon Hollerbach: Corrupção ativa; peculato, lavagem de dinheiro; Formação de quadrilha; Evasão de divisas
33 - Roberto Jefferson: Corrupção passiva; lavagem de dinheiro.
34 - Rogério Tolentino: Lavagem de dinheiro; Corrupção ativa; Formação de quadrilha
35 - Romeu Queiroz: Corrupção passiva; lavagem de dinheiro
36 - Silvio Pereira: Formação de quadrilha
37 - Simone Vasconselos: Lavagem de dinheiro; Corrupção ativa; Formação de quadrilha; Evasão de divisas
38 - Valdemar da Costa: Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção passiva.
39 - Vinícius Samarane: gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro; Formação de quadrilha,
Evasão de divisas.
40 - Zilmar Fernandes: Lavagem de dinheiro; Evasão de divisas

A denúncia foi rejeitada em relação a:

1 -Ayanna Tenório: Evasão de divisas
2 - Delúbio Soares: Peculato
3 - José Dirceu: Peculato
4 - José Genoino: Peculato; Corrupção ativa
5 - Marcos Valério: Falsidade ideological
6 - Rogério Tolentino: Corrupção ativa, peculato; Evasão de divisas
7 - Sílvio Pereira: Peculato; Corrupção ativa.
(Fonte: STF)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Lula e 2010


O presidente, em entrevista exclusiva ao Estadão deste domingo, garantiu que mesmo se o povo pedir não disputará a eleição em 2010. Pelas palavras dele cumprirá o que determina a Constituição e entregará o poder em 31/12/10.

Na avaliação de FHC, não será o povo, mas o PT que pedirá o 3o. mandato. Na lógica do ex-presidente o PT não terá nomes fortes.

Entre os ex-oponentes da disputa de 2006 a leitura foi diversa: para Alckmin o presidente demonstrou compromisso com a "alternância de poder". Heloísa Helena, que perdeu um dente mas não a língua, foi taxativa: "é conversa fiada, é jogo de cena".

O que pensam nossos amigos do blog?

Alemanha, racismo e Youtube

Do site português Diário Digital, 27/08/2007.
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Racismo: Governo alemão admite processar Youtube.

O Governo e a Comunidade Judaica da Alemanha admitem apresentar queixas-crime contra o portal de partilha de vídeos Youtube, por este alegadamente contribuir para a divulgação de filmes de propaganda nazi, escreve hoje a revista alemã Der Stern.

Segundo o site online da revista alemã, vários filmes proibidos de propaganda nazi com conteúdos racistas e anti-semitas foram encontrados no portal mais famoso de partilha de vídeos no mundo, o Youtube, onde cada pessoa pode aceder livremente e sem qualquer problema a este tipo de material.

Após várias queixas da Comissão de Protecção de Menores alemã e várias outras entidades daquele país, o portal de partilha de vídeos, com sede nos Estados Unidos, continua sem reagir.

O porta-voz da bancada do Partido Social-Democrata (SPD), Dieter Wiefelspütz, apelou para que se iniciasse «uma investigação criminal» contra o Youtube pela divulgação de vídeos com conteúdos ilegais de extrema-direita, acusando o portal de «cumplicidade na propagação de material ilícito e da ideologia de extrema-direita».

«Chegou a altura de as autoridades competentes começarem a investigar este caso e proíbirem esta prática escandalosa. Temos que acabar com isto», afirmou o responsável, em declarações à estação pública de televisão alemã ARD.

Por sua vez, o organismo central da comunidade judaica na Alemanha pediu ao Governo alemão e à Justiça que «inicie as diligências necessárias», acrescentando que está a analisar a possibilidade de avançar com um processo-crime contra o portal.

O secretário-geral da comunidade judaica, Stephan Kramer, declarou à agência Associated Press (AP) que advogados do organismo também está a avaliar a possibilidade de avançar com um processo judicial contra a divulgação dos vídeos nos Estados Unidos.

Entre os filmes que podem ser vistos no Youtube figuram filmes de propaganda anti-semitas do antigo Partido Nacional Socialista Alemão (NSDAP, sigla em alemão) como «Jud Süss» (Judeu doce), diversos vídeos de música de bandas de extrema-direita, assim como inúmeros outros vídeos que engrandecem a guerra pela supremacia ariana e outros ideais de extrema-direita.

Segundo a revista Der Stern, o filme «Sturmführer in der SS» (Comandante das Secções de Segurança SS) disponível no Youtube, foi visto nos últimos oito meses por mais de 400 mil utilizadores.

As 7 maravilhas paulistanas

A rádio BandNews FM fez uma pesquisa perguntando quais seriam as 7 maravilhas de São Paulo. Segundo os organizadores, foram “centenas de milhares de e-mails”. A pesquisa, evidentemente, não tinha caráter científico. A escolha era livre: o ouvinte escrevia elencando os pontos da cidade, sem nenhuma pré-seleção.

Por várias vezes os ouvintes elencavam as suas próprias namoradas como a “sétima maravilha” de São Paulo. Vai entender, né?

A pesquisa valeu pelo caráter lúdico e afetivo que acompanhou a votação.

Eis as “7 maravilhas paulistanas”:

1º. Parque do Ibirapuera
2º. Rua 25 de Março
3º. Avenida Paulista
4º. Mercado Municipal
5º. Os shoppings de São Paulo
6º. Museu do Ipiranga
7º. A pizza

Detalhe: do oitavo ao décimo lugar, ficaram os três times grandes da capital, nesta ordem: Palmeiras, Corinthians e São Paulo.

O Teatro Municipal, a Estação da Luz e o Metrô ficaram entre os 20 primeiros.

Duas “estranhezas” que evidenciam o atual estado de coisas: a ausência da Praça da Sé e a presença dos shoppings no pódio.

sábado, 25 de agosto de 2007

A condenação da ditadura e os arquivos secretos


O período da ditadura militar (1964-1985) finalmente é responsabilizado por torturas e mortes por um órgão do governo brasileiro. Trata-se de um livro produzido pela Secretaria Especial dos Diretos Humanos e chama-se “Direito à Memória e à Verdade”.
Este gesto, no entanto, demonstra a ambigüidade governamental no tema. Se a Comissão presidida pelo ministro Paulo Vannuchi teve o afinco de constatar práticas conhecidas do período mais duro da repressão militar, há ainda algo que o governo não teve a coragem de fazer: abrir os arquivos da ditadura militar.
Desde FHC, como o decreto 4.553/02, os documentos classificados como "ultra-secretos" podiam ficar em “sigilo eterno”. No governo Lula, a Lei 11.111/05 pouco alterou a condição desses documentos, pois restringe a abertura dos documentos “que atinjam a segurança do Estado”.
Se existe uma publicação que responsabiliza o Estado e, ao mesmo tempo, há documentos não disponíveis à população do país, temos uma demonstração inequívoca da esquizofrenia do governo em relação ao tema.
Um estado democrático de direito pressupõe, dentre outras coisas, o direito à informação e à sua própria história. Não apenas para alguns. Por isso a abertura dos arquivos é extremamente necessária e inadiável. E é uma forma de garantir a segurança dos cidadãos contra tentativas de um Estado autoritário.



PêEsse: A imagem é do movimento "Desarquivando o Brasil".

Leiam o manifesto pela abertura dos arquivos no site
http://www.desaparecidospoliticos.org.br/noticias/abaixoassinado.html

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Um alô aos leitores do Noblat

Já ia me esquecendo: as boas vindas do "Conta-Gotas Cotidiano" aos leitores do Noblat que visitaram (e continuam visitando) este blog.

Fiquem à vontade!

Decida pelo 3?


O lançamento da nova campanha publicitária do Banco do Brasil deu um bochicho danado em Brasília.

No Senado, Heráclito Fortes e Suplicy bateram boca, houve troca de ironias (eufemismo para ofensas) e uma porção de especulações.

Tudo por causa da chamada “campanha do 3”, lançada pelo Banco do Brasil e veiculada via internet e através de camisetas promocionais confeccionadas, segundo os brados de Heráclito Fortes, “com dinheiro público”.

O debate era: o que significa o número “3” estampado nas camisetas? A oposição diz que a “desculpa” do BB de que o “3” indica “2 + 1” (conforme o anúncio) e que se refere a “três atitudes pensando na sustentabilidade” é esfarrapada. Fortes argumentava que era uma espécie de mensagem subliminar aludindo à reeleição de Lula.

A mim me parece um pouco fantasiosa a argumentação de Fortes, do mesmo modo que me pareceu um pouco “imprudente”, para dizer o mínimo, essa campanha do BB. O fato é que, até agora, vi pouca repercussão disso e, como vocês podem conferir no site do Banco do Brasil, o “3” continua lá.


O que vocês acham?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Mônica Veloso na Playboy. Em outubro.

É, caros e raros colegas de blog. O tal do Renan Calheiros escolheu a dedo a mãe de sua filha.

Mônica Veloso mostrou, nas fotos de divulgação, que não é fraca. Com 1,70 e lindíssimos cabelos pretos (sim, eu reparei também na parte superior ao ombro da morena), a ex-jornalista promete causar fortes emoções nos “leitores” da revista.


A bela ainda promete narrar um livro sobre “as coisas de Brasília”, que será escrito por um grande jornalista brasileiro, ainda não divulgado. No livro, a morena deverá revelar os bastidores da política em Brasília, já que ela tem bom trânsito pelo DF desde 2003.

É esperar para ver. Enquanto isso, vamos “lendo”, a partir de outubro, a Playboy!

Tem gente dizendo que pensão de 12 mil é pouco para tamanha beleza de Mônica Veloso. Será?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Um "PêEsse" sobre o PSDB

Aliás, um “pêesse” não. Dois!

Saiu nos jornais de hoje e em alguns blogs de política uma nota dando conta de que o Renan Calheiros tem alcançado cada vez mais a simpatia dos tucanos. Parece que somente o Tasso Jereissati (CE) continua batendo o pé em prol da cassação do senador alagoano.

Se for assim, o PSDB se afunda mais a cada dia que passa. No lugar de ficar sobre o muro, como se afirma com freqüência, o partido de Serra e FHC tem escavado com vontade em direção à parte rasteira da política.

O segundo pêesse se refere ao arquivamento (por unanimidade) do processo que corria na Assembléia Legislativa de São Paulo contra o tucano Mauro Bragato por suspeita de irregularidades em obras da CDHU. O Conselho de Ética, composto pela maioria de aliados da base governista, julgou que não havia indícios suficientes.

É prudente desconfiar, pois o caso correu paralelamente aos processos contra Renan Calheiros o que, inevitavelmente, lhe relegou pouco destaque na imprensa.

Às vésperas de realizar o segundo encontro nacional da sua história, seria interessante o PSDB considerar esses dois “pêesses”, sem se esquecer da anuência dada pelos tucanos (juntamente com membros do PT e do PMDB) à prorrogação da cobrança da CPMF.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Elvis não morreu

Semana passada, dia 16/08, quinta-feira, foram celebrados os 30 anos da morte dele, the King, Elvis Presley – nunca entendi muito bem esse negócio de celebrar a morte dos outros, afinal, se você gosta do cara por que comemorar a morte do cidadão?

Enfim, dentre as dezenas de reportagens que li sobre o rei do rock, a mais fantástica é da Rolling Stone Argentina. O título da matéria: Elvis, “vivo” y en Buenos Aires (¿?).

A revista apresenta uma série de teorias (malucas ou não) encabeçadas por Jerónimo Burgués, autor de “El Rey Vive Entre Nosotros”. No livro, o jornalista afirma que Elvis vive na capital porteña sob a proteção da CIA, do FBI e da Polícia Federal do país, no que seria (ou é) o maior caso de proteção à testemunha da história – já que Elvis era um tremendo x9 dos bastidores do show business. Para corroborar o livro, o blog Elvis en Argentina traz um documentário com informações do paradeiro do rei, que segundo o vídeo vive nos arredores do Parque Leloir, zona oeste de BsAs. O mesmo blog é responsável pela campanha que espalhou diversos cartazes (esse aí do lado) pela cidade tentando colher mais e mais informações sobre o rapaz de Mississipi.

Poxa, primeiro Maradona é melhor que o Pelé, depois o Gardel é argentino, e agora mais essa... Daqui a pouco os hermanos vão querer alterar a nacionalidade de Deus – e todo mundo sabe que Caetano é brasileiro!!!

Como não poderia deixar de ser, o clipe da semana, lá no rodapé, é do clássico Blue Suede Shoes.

“It’s one for the money, two for the show…”

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Notas do mundo acadêmico

1. Após a crise que resultou nas greves estudantis do primeiro semestre há um novo titular na Secretaria de Ensino Superior. É o linguista Carlos Vogt, ex-reitor da Unicamp, ex-presidente da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo). Na avaliação de Vogt, em entrevistas na semana passada, os movimentos de estudantes, professores e funcionários fortaleceram a noção de autonomia universitária.
Aliás, até agora, o movimento estudantil foi o único episódio que conseguiu desgastar a imagem da gestão Serra. Nem as crateras e buracos do metrô causaram tanto impacto.
O novo secretário tem uma fala mais moderada que o anterior, Aristodemo Pinotti, e tudo indica que levará a FAPESP para a sua Secretaria, deixando de estar na Secretaria de Desenvolvimento. Aliás esta era uma das reivindicações estudantis.

2. Na edição da Folha de ontem dois casos importantes: os processos do CAPES e CNPq contra bolsistas, principalmente que estudaram no exterior, e que ou não concluíram a pesquisa ou não retornaram ao Brasil. Percentualmente o valor é baixo, pois a maioria cumpre seus compromissos. Mas não deixa de ser uma demonstração de zelo das agências financiadoras diante do famoso contexto de recursos escassos.
Caso mais bizarro foi o de um professor que se doutorou em Barcelona e não entregou cópias de certificado de graduação. Ele tem um título de "pós" que não vale nada, pois não fez o "antes". A alegação dele, segundo o jornal, é hilária: não entreguei os documentos pois não me pediram.

3. Relatando coisas boas também. Na semana passada houve um concurso de Professor-titular em História do Brasil na UNICAMP. A Professora Leila Mezan Algranti, autora de vários livros como Honradas e Devotas: Mulheres da Colônia: Condição feminina nos conventos e recolhimentos do Sudeste do Brasil, 1750-1822, proferiu uma aula brilhante sobre a história da alimentação na América Portuguesa. Um olhar muito aguçado para captar as relações entre "conquistadores e conquistados" a partir da alimentação no período colonial. Foi uma aula de dar "água na boca", não apenas pelo tema mas pelo brilhantismo e erudição analítica.
Prova de que as Universidades brasileiras, malgrado todas os problemas que as afetam, possui grandes pesquisadores, como a mais recente Professora Titular da área de História do país.

domingo, 19 de agosto de 2007

Bubble

Nas estréias do cine no final de semana destaca-se o filme "Bubble" (direção de Eytan Fox. Israel, 2006).



Para abordar as complexas questões entre israelenses e palestinos o diretor recorre à história de amor entre dois rapazes: um palestino e outro israelense. Temas como os territórios ocupados, o terrorismo, o amor entre iguais num universo de diferenças entre árabes e judeus e ilegalidade desfilam diante de nossos olhos sem ser panfletário.


O filme trata os temas mesclando certa leveza e um tom exasperador nas cenas e questões mais difíceis. É interessante este jogo do filme pois nos permite indagar sobre visões preconcebidas tanto a respeito dos conflitos naquela região do Mundo como nas relações afetivas entre o casal central.


As tiradas engraçadas convivendo com "temas sérios" e os estranhamentos de parte a parte nos fazem ver uma cidade em seu cotidiano. Ruas, cafés e festas em Tel Aviv e Nablus aparecem na tela numa narrativa que sugere ao público um universo dolorosamente familiar.


Não é um filme para muitos, pois temas espinhosos e cenas fortes tendem a afastar um certo público. Mas indiscutivelmente uma proposta interessante para temas de um mundo que teima em fugir dos nossos estereótipos de felicidade.